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terça-feira, 19 de abril de 2016

Miguel Sousa Tavares: "Nunca vi o Brasil descer tão baixo."

e o País...

O país foi virado do avesso. 
Estes políticos que só são movidos por cargos e benefícios, ou apenas representam a Elite e o Capital perpetraram um golpe neste último domingo (17/04). Aceitaram que o processo para destituir a Presidenta, legitimamente eleita, tivesse continuidade. Com isso paralisaram o País e de forma vil mostraram a cara da Elite raivosa que não suporta que pobre tenha benefícios e chances na vida. Não suporta ter de pagar INSS e FGTS (e horas extras) para a sua escrava do Lar (a empregada doméstica). Sim estes benefícios vieram nestes últimos três governos (dois do Lula e um da Dilma). Não suportam ver seu filhinho ter de sentar ao lado de beneficiários de cotas lá nas universidades públicas. Por isso e por muito mais a Elite se rebelou e exigiu de seus políticos essa postura golpista.

e hoje é dia do Índio...

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Manguinhos

Fiz um bate e volta ao Rio.
Peguei congestionamento na entrada e na saída e, assim, pude sentir na pele o esforço mal dimensionado que o governo local está fazendo pela Copa que já passou e pela Olimpíada que já está batendo à porta.
De qualquer maneira, quando se entra no Rio pela Avenida Brasil, pode-se observar o magnífico prédio da Fiocruz, conhecido como Manguinhos.
As fotos a seguir foram feitas na entrada e na saída.
E o Rio de Janeiro, apesar do esforço de seus governantes, continua lindo...

Fiocruz com a luz da manhã

 Fiocruz com a luz do final do dia

 com o sol se pondo

sob a passarela da Av. Brasil

sábado, 2 de abril de 2016

As lixeiras do amanhã



Encontrei vários latões destes no Museu do Amanhã. Pela qualidade da obra, esta não pode ser a solução para o descarte de resíduos. Não pode. Olhem o detalhe da grelha no piso e verão que o projeto e seu respectivo detalhamento se preocuparam bastante com acabamento. Já a "lixeira" demonstra que ou não compraram o que era pra ser comprado, ou esqueceram de que as pessoas precisam descartar lixo e deixaram a solução por conta de qualquer um, a posteriori. Deu no que deu: um latão de plástico com um saco preto por sobre a goela e sem tampa. E não é apenas esta lixeira, a que saiu na foto. Tem um monte destas por lá, circundando todo o lugar. Incrivelmente elegante e azul. Show de bola.



Carlos Drummond de Andrade

O Medo

Em verdade temos medo.
Nascemos no escuro.
As existências são poucas;
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.
E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
Vadeamos.
Somos apenas uns homens e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes.
Refugiamo-nos no amor,
Este célebre sentimento,
E o amor faltou: chovia,
Ventava, fazia frio em São Paulo.
Fazia frio em São Paulo...
Nevava.
O medo, com sua capa,
Nos dissimula e nos berça.
Fiquei com medo de ti,
Meu companheiro moreno.
De nos, de vós, e de tudo.
Estou com medo da honra.
Assim nos criam burgueses.
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?
Vem, harmonia do medo,
Vem ó terror das estradas,
Susto na noite, receio
De águas poluídas. Muletas
Do homem só.
Ajudai-nos, lentos poderes do
Láudano.
Até a canção medrosa se parte,
Se transe e cala-se.
Faremos casas de medo,
Duros tijolos de medo,
Medrosos caules, repuxos,
Ruas só de medo, e calma.
E com asas de prudência
Com resplendores covardes,
Atingiremos o cimo
De nossa cauta subida.
O medo com sua física,
Tanto produz: carcereiros,
Edifícios, escritores,
Este poema,
Outras vidas.
Tenhamos o maior pavor.
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.
Adeus: vamos para a frente,
Recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes...
Fiéis herdeiros do medo,
Eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
Dançando o baile do medo.