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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Eleição sindical não é uma disputa de par ou impar.

peguei este texto emprestado do meu amigo Victor...
    Sempre fui refratário em contar histórias como protagonista, medo de valorizar um determinado momento de minha vida que não interessasse a alguém na roda, mas a análise da posição ideológica e a faixa etária dos presentes me ajudam a apimentar o assunto e expor minhas ideias com humor.
    Infelizmente a eleição do SASP, não me permite esses artifícios e vou direto ao assunto. 
   Nasci de uma família de comunistas italianos e proletários quatrocentões e por tantos explorados e por séculos.
   Nasci ouvindo “A Internacional” em diferentes volumes de som pautados ao gosto de vizinhos inconvenientes.
   Politicamente, tornei-me militante orgânico aos 15 anos em 1982, durante minha associação à União Cultural Brasil e URSS de São Paulo, meu avô Victorio Chinaglia era o presidente do núcleo de Campinas e dirigente comunista.
   Portanto as relações familiares para mim, sempre foram fundamentais para a formação ideológica e partidária.
   Ideologia vem há ser uma escola de pensamento coerente entre os mesmos, que podem formar e alimentar um partido político ou grupos organizados.
   O elemento família é tático.
   Soube, estudei e vi vários sindicatos na legalidade e seus dirigentes cassados e mesmo mortos resistindo à política oficial.
   Vi vários sindicatos nesse período, através de políticas conciliatórias com  governos se legalizarem, importantes na luta contra a ditadura militar, nós democratas, suportávamos seus dirigentes palatáveis ao sistema, na esperança da hegemonia política e contentando-se  em influências em diretorias e no corpo administrativo da entidade.
   Esse conceito estratégico nunca passou pelo SASP, entidade criada na esteira da necessidade do Partido Comunista Brasileiro em ampliar sua atuação social em 1971 e entre os trabalhadores das cidades, os arquitetos tinham essa missão.
Sede do IAB durante a posse da 1° Diretoria do SASP
  O PCB decidiu e o IAB cedeu quadros e transferiu recursos para o SASP nascer.
   Quando da legalização democrática lenta e progressiva da década de 80, o PCB decadente e os militantes das diversas correntes internas do PT fortalecidos, assumem a direção do SASP, e impõem a importante luta pela construção da CUT e a vanguarda da luta social e política urbana.

   O IAB perde força na proporção que suas lideranças envelhecem e morrem com o PCB e o SASP através de seus membros, ganha músculo de atuação em governos do PT e Aliados com as eleições pós-democratização de 1985, principalmente em São Paulo, Campinas, Santos e Piracicaba.
   Avançamos assim organizados, nas estruturas econômicas e sócias.
   As conquistas da Carta Cidadã de 1988, a luta aberta pela Reforma Urbana e pelo Estatuto das Cidades favorecem a aliança da maioria das forças de esquerda e do pluralismo pragmático, que atinge seu ápice no 1° primeiro mandato de Lula presidente e na constituição do Ministério das Cidades.

   O SASP, fundamental nessas conquistas, vê sucessivas diretorias precisando de novos fôlegos organizacionais pela ampliação de novas frentes de lutas e atuação.
  Pulmão esse, formado por militantes sindicais para trabalhar, atuar e participar em face da nova realidade democrática da sociedade.
  Infelizmente, quantidade de associados não foi suficiente e necessária de renovar e preparar quadros políticos.
  Hoje vários sindicatos e entidades privadas de interesse público, representam o que podíamos dizer de estrutura de pessoas de mesma ideologia, partido e “família”, que negam a história dos pelegos da década de concertação e se atualizaram em novas figuras jurídicas, vide times de futebol, entidades esportivas, fundações e todas as variações do 3° setor.
  Odiaria ter uma entidade reduzida entre Pai, Mãe e cunhado, a Santíssima Entidade!
  Odiaria também, em ter que contribuir compulsoriamente em algo que não acredito e para um clã sem a gênese de nossa criação e pior, ter que conviver com hábito próximo de brigas familiares de domingo ao redor da mesa da macarronada e após, as segundas, disputarem por telefone as contas, no par ou impar .
Na última eleição só 40 e poucos arquitetos votaram, praticamente o mesmo número de candidatos da chapa da situação.
   Uma eleição sindical não é disputa de grêmio estudantil, Centro Acadêmico ou de time de futebol de várzea.
   Muito mais séria, envolve histórias e trajetórias políticas, carreiras profissionais e famílias que no meu caso se limita pela minha ausência e saudades de minha esposa e filhos.
   Temos obrigação de zelar pela legalidade da eleição, respeitando as assembleias soberanas e suas decisões, dentre elas a mais importante, a Comissão Eleitoral.
   Considero democrático apelar para a justiça comum, em todas suas instâncias e respeito às decisões tomadas em fórum.
   Não considero legais as interpretações pessoais em privilégio de determinado grupo ou mesmo por conceitos individuais duvidosos sobre democracia.
   O SASP não é base eleitoral de nenhum partido e muito menos de um determinado parlamentar, não é currículo vivo de nenhum acadêmico preso ao seu tempo ou cartório que passa o ofício por herança familiar.
   A renovação é fruto dessa luta interna entre a política de alianças e de pensamento plural de longa tradição no SASP e o grupo que “exige” respeito e “ditam” regras, em nome da perpetuação de um revisionismo histórico romanceado e infantil ,  extremamente prejudicial aos profissionais.
   Não me incomodam as manifestações da situação, dentro do nível suportável de diálogo e respeito, mesmo sabendo que ao aproximar da data final o clima esquenta como parte óbvia do processo.
  A legalidade da eleição esta garantida, ela vai existir até pelas decisões corretas da Comissão Eleitoral e que vença o melhor para a categoria.
   Qualquer semelhança com personagens e roteiros são frutos de ficção.  Mas luto ferrenhamente para que isso não aconteça com a nossa entidade!
   Espero ao escrever esse texto não estar atrasado.
Amém (Assim seja)!
Assim sou chapa 1, oposição!
Arq. e Urb. Victor Chinaglia