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domingo, 14 de outubro de 2012

Arte para cinéfilos, arte para todos...

 Barbarella - o original

Vou contar um "causo". Tudo bem: não sei contar causos... mas se vocês abstraírem, podem aproveitar. Estávamos todos na casa do Zé Alfredo, um engenheiro da SABESP, que estava nos mostrando suas fotografias gigantes. Verdadeiros quadros produzidos durante um curso lá na rua Tutóia. Coisa do tempo em que se usava ampliador, filme revelado e papel fotográfico, tudo manipulado em banheiro com vidro pintado com tinta preta. Ah, sim, os quadros. Tinha lá um bando de gente, desde atores e estudantes de teatro, diretores, leigos, iniciantes e estudantes (como eu) até os músicos da banda 14 Bis (amigos da dona da casa, mineira como eles). Um artista plástico, que à época espalhava out-doors (produzidos através de xerox) pela paulicéia, resolveu passar batom em si mesmo e depois beijou um dos "quadros" do Zé. Levou um tempo para o Zé perceber, ficou furioso pois não entendeu a intervenção e passou um pano. Não lembro se alguém registrou a cena. Acho que só a memória. 
Me lembrei disso ao ler sobre a exposição que tá rolando no MIS (Av. Europa) sobre releitura de 60 cartazes de cinema. Arte para cinéfilos, cartazistas (se isso ainda existe) e artistas em geral. Será que os autores destes cartazes sabem disso? Até onde uma "releitura" é uma invasão, um desrespeito, uma arte ou uma contribuição. A coisa toda poderá ser vista até o dia 18 deste mês. Eu só sei de uma coisa: não vou perder por nada. Afinal, alguns filmes favoritos meus estarão sendo "revisitados". Pense: um cartaz feito depois de "tudo" sobre o filme ter sido "digerido", trinta, quarenta anos depois, pretensamente "relendo" um cartaz feito "antes" do filme ser lançado. No mínimo interessante. Aproveito para recomendar a leitura de "O Cartaz" de Abraham Moles da Ed. Perspectiva (Coleção Debates).

Laranja mecânica - a releitura