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quarta-feira, 21 de março de 2012

Ano do Dragão...

Comecei o ano chutando o balde, virando a própria mesa e decidindo como fazer o que devia ser feito. Parecia tudo em ordem até que meu terremoto provocou um tsunami. Que draga! Draga? Draga nada! É apenas mais um motivo para me mostrar que meu limpa-trilhos está correto. Não há como fazer uma casa sem limpar o terreno. Às vezes sequer é possível se fazer um levantamento sem essa limpeza. A limpeza pode até ser pesada, mas vale. Tudo vale à pena, se a alma não é pequena, já dizia o maior poeta português. 
Outro dia me deram a oportunidade de ler uma crônica que Otto Lara resende escreveu em 1991. Tratava de uma Baleia que havia encalhado em Saquarema. Sempre adorei Saquarema e fiquei imaginando o que lia, devidamente encaixado no cenário certo. Uff, deu trabalho a Baleia. Mas o que importa mesmo, foi o que vinha contrabandeado, imerso no texto, personificado em um sorveteiro que desejava o suplício da Baleia por muitos dias mais. Como ele, também uma senhora que vendia pastéis com ágio. Gente que lucra com a desgraça alheia. Enquanto uns trabalham, outros se esforçam, estes esperam que a lágrima alheia vire ouro. Estes não merecem nem um cordial "bom dia".
Depois disso resolvi ouvir Beto Guedes. Para minha alegria, a primeira musica que ouvi foi "Vevecos, Panelas e Canelas". Minha alegria foi tanta, que reproduzo:

Vevecos, Panelas E Canelas Beto Guedes


"Eu não tenho compromisso, eu sou biscateiro
 Que leva a vida como um rio desce para o mar
 Fluindo naturalmente como deve ser
 Não tenho hora de partir, nem hora de chegar
 Hoje tô de bem com a vida, tô no meu caminho
 Respiro com mais energia o ar do meu país
 Eu invento coisas e não paro de sonhar
 Sonhar já é alguma coisa mais que não sonhar
 Para quem não me conhece eu sou brasileiro
 Um povo que ainda guarda a marca interior
 Para quem não me conhece, eu sou assim mesmo
 De um povo que ainda olha com pudor
 Que ainda vive com pudor
 Queria fazer agora uma canção alegre
 Brincando com palavras simples, boas de cantar
 Luz de vela, rio, peixe, homem, pedra, mar
 Sol, lua, vento, fogo, filho, pai e mãe, mulher"

e é isso... estou de bem com a vida... estou no meu caminho. Não estou disposto a mudar minhas escolhas para agradar quem quer que seja. São minhas regras, meu jogo. Se não agrado... paciência. Nestas horas sou meio Marsicano na vida. Falo o que penso, na hora que me dá na telha. E penso que o Universo tem se encarregado de me permitir minhas colheitas. Ele vem tirando da minha vida, do meu caminho, do meu entorno, aqueles que não merecem compartilhar comigo esta maravilhosa experiência que é viver. 
Não sou melhor que ninguém e pode até ser que outros pensem que é muito bom não conviver comigo. Não me importo. Sou eu mesmo, sou autêntico e: sou feliz!

Coluna Prestes

Encontrei uma versão desta epopéia que não é exatamente aquela que a historiografia nacional teimou em amar e transformar em lenda. Mito e glória passam longe desta incrível reportagem feita livro por Eliane Brum. Quem quer conhecer o Brasil, saber de suas raízes deve ler: "Coluna Prestes, O avesso da Lenda". Se tiver dúvida do que lê, depois de percorrer os 25 mil quilómetros junto com a Eliane, vá ler os arquivos do Juarez Távora (p. ex) e as correspondências de outros participantes. Afinal, não se deve acreditar em tudo que se lê por ai...
Talvez por isso, Eliane Brum resolveu empreender esta viagem e entrevistar (ver e ouvir), colhendo ela mesma as impressões e os detalhes. A Coluna, que a princípio se chamou Miguel Costa/Prestes, passou a ter somente o nome do "Cavaleiro da Esperança" muito em função de marqueting. Mas, vou parar de matraquear e vou deixar que cada um tenha a sua própria opinião...