PINTEREST

segunda-feira, 19 de março de 2012

Otto Lara Resende


"Uma criança vê o que um adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que de tão visto ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher. Isso exige às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos.

É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença"
.
(Vista cansada).

Tempos difíceis...

Pena eu não acreditar em nada. Nestas horas não posso botar a culpa em nada nem ninguém. Não há Deus, nem planetas ou conjunções astrais. E, mesmo se houver, nada impede que o acaso reine absoluto sobre tudo e todos. Até porquê, caso assim não fosse, quem garante que a insignificante vida que somos, representa algo para entidade qualquer que seja. Basta tomar ciência das dimensões do Universo e pronto. Cada um de nós é menos do que um grão de areia do oceano. Falando em oceano, uma das coisas de que mais gosto é justamente flutuar nele, pela sensação interessante de experimentar estar imerso no planeta como um todo. É só pensar na imensa massa de água que cobre nosso globo injustamente chamado de Terra. Guilherme Arantes tinha razão: é Planeta Água. Smith tinha razão. Sim, aquele personagem do filme MATRIX, que nos comparou com uma doença, um virus, daqueles que se espalham por um organismo até acabar com todos os recursos dele, até matá-lo. É isto que somos. Um bando de idiotas que destrói o solo que pisa, a casa que habita o Planeta que nos nutre. E, depois disso, ainda querem que eu acredite em UM ser superior que nos provê. Só dando risada. Já parou para pensar que existe uma corelação entre religiosidade e miséria? Já parou para pensar que a maioria das religiões foi criada e desenvolvida para manter a ordem? Um poder de polícia sofisticado, alicerçado na ignorância e na incompreensão?  Ainda assim, a despeito de tudo, acho bem provável que eu continue a não desejar mal a quase ninguém. Pensando bem: vou rever MATRIX e é agora.