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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Eu pensei... E você? Vai fazer o quê com o seu voto este ano?

Então... qual é a contribuição que os profissionais de arquitetura, urbanismo e engenharia podem dar para o debate da questão da moradia? Eu pergunto apenas para instigar. É claro que se discute a questão desde muitos anos, décadas até. O problema é que a discussão acadêmica tende à esterilidade uma vez que o debate não alcança as esferas de decisão, as esferas de poder. Ou seja, o poder público não dá a mínima para sequer entender a questão. E, sabemos disso, para se encontrar qualquer solução há que se ter um entendimento do problema. Quem não entende enunciado não resolve questão. Até um garoto de quinze anos sabe disso. Pois bem, com a recente criação do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) a profissão voltou ao noticiário e a ebulição voltou a sacudir os arquitetos em acaloradas postagens nas redes sociais. Em vez de reclamar, a galera podia simplesmente contribuir com idéias para o uso consciente dos espaços urbanos. E não adianta dizer que falta Lei, que a Lei isso, a Lei aquilo, pois o buraco é mais embaixo. Sabemos disso desde Dom Paulo Evaristo Arns. Ou seja, não é de hoje que o poder econômico solapa, destrói, aterra e enterra boas causas. Basta ver o que fizeram no Pinheirinho en São José. Foi, no mínimo, falta de bom senso. Não estou falando da PM ou da ordem judicial. Estou falando do descaso das autoridades constituídas que deixaram a coisa chegar ao tamanho que chegou ao longo de muitos anos de incompetência e indignidade. Sim, pois os profissionais arquitetos e engenheiros daquela região, principalmente aqueles que ocuparam (e ocupam) cargos nas administrações municipais e estadual, que deveriam atentar para a questão, nada fizeram a não ser assistir o circo pegar fogo. Isso quando não foram apagar o incêndio com extintores até às tampas de gasolina. Uns movidos por questões ideológicas e outros por pura incompetência. Descaso mesmo. Deficiência de formação e falta de interesse. Pessoas desse nível não deveriam nem passar em concurso público e muito menos deveriam passar no exame do estágio probatório. O poder público deve atentar para os profissionais que abriga. Aliás, esse negócio de estabilidade em cargo público deveria acabar e o profissional ser avaliado a cada dois anos e não uma vez na vida e outra na morte.
Não adianta vir com discurso. Tem que ter atitude. Orçamento participativo, esferas de discussão e assembléia permanente. Cobrança e mais cobrança. Eu sei que a vida está difícil etc e tal. Eu sei que tem de botar o pão na mesa e que políticos não pagam as nossas contas e que as horas gastas nestas reuniões e assembléias são horas roubadas do convívio familiar ou do nosso lazer. Mas que tal você desligar a televisão algumas horas por semana para reunir seus amigos e vizinhos e discutir os problemas de seu bairro e, ao final de cada reunião, encaminhar uma carta (um requerimento ou um e-mail)para o vereador da sua região (ou todos os vereadores e mesmo o Prefeito). Não diga que não vale à pena, pois a minha experiência diz o contrário. Aliás, a minha vó já dizia que água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
Pronto, falei. E você? Vai fazer o quê com seu voto este ano?