PINTEREST

domingo, 12 de fevereiro de 2012

200 anos de Dickens

Esta semana Charles Dickens faria 200 anos. Nossa! Duzentos anos e nada mudou. Pois é, quando criança já fez parte das estatísticas de exploração do trabalho infantil e, mais tarde, quando escritor, já metia a boca na desigualdade social. Aquela do tipo "os ricos tranquilamente aproveitando seu dinheiro e os pobres dependendo de comida descartada pelos mercados ou doações". Por esta e por outras, que se pode concluir que muita coisa não mudou nada nestes últimos duzentos anos. Dickens foi o sujeito que imortalizou Ebenezer Scrooge e deve ser por isso que tem tantos dele por ai ainda hoje. Foi o cronista, por excelência da Era Vitoriana e soube, como poucos, desnudar a alma humana, seus preconceitos e mazelas. 
Esta semana, absolutamente por acaso, assisti dois filmes dos quais certamente Dickens seria fã. O primeiro deles foi "Crash - No limite" (2004) que destila os preconceitos da sociedade estadunidense e mostra a incapacidade de convivência das diversas culturas que por lá resolveram se estabelecer. O outro foi "Reds" (1981) a verdadeira história do jornalista americano John Reed, um sujeito de sua época (início do século XX) e que soube prontamente que os motivos da primeira guerra mundial estavam claramente inscritos na palavra LUCRO dos interesses comerciais. 
Portanto, se você se debruça sobre os últimos duzentos anos vai ver que pouca coisa mudou. Na essência, talvez nada, como pode ser verificado no artigo do Ferreira Gullar na Folha de hoje.