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terça-feira, 15 de novembro de 2011

e a criança nasceu...

Era uma noite chuvosa e a expectativa estava no ar, como aquele cheiro do café que fica no bule na beira do fogão de lenha. Colocaram água para ferver e passaram alguns panos e fraldas. Tudo estava pronto e a parteira, chamada às pressas na fazenda vizinha, foi tirar um cochilo. Dona Neusa urrava de dor vez ou outra e alguns já pensavam no pior. A vizinha e a cunhada diziam que a criança tinha virado, que o formato da barriga era estranho, que a gestação tinha sido incomum... Seu Ozório não pregava o olho, preocupado com a chuva a lhe estragar a colheita, logo agora que ia ter mais boca para alimentar. De meieiro passara a proprietário e estava prestes a trocar seu administrador. Tudo ao mesmo tempo. A madrugada transcorreu lenta e nebulosa até que com os primeiros raios de sol o trabalho rendeu e ecoou pela casa o choro da criança. A euforia tomou conta de todos e até o som das aves matinais foi incomum. Exausta, Neusa pediu para o marido olhar na folhinha o nome do santo do dia. Rezara nas últimas doze horas fervorosamente, prometendo o nome do filho ao santo que lhe guiasse o caminho. Assim foi feito. Procurou a folhinha na parede perto do fogão e por não achar os óculos pediu ao compadre Duque, seu amigo e vizinho, que lesse o escrito junto da data. Procrep! O quê? Procrep. Credo, que santo é esse? Sei não... sei não... Mas a Neusa é muito fervorosa e se ela pediu... Logo que o sol firmou, Seu Ozório e Seu Duque pegaram a estrada e foram ao Cartório. Nome da Criança? Procrep. O quê? Procrep. Bom, o senhor tá dizendo né... escreve ai: PROCREP. Certo. Data de nascimento: 15/11...