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sábado, 13 de agosto de 2011

Mistérios antigos

Rapaz... tô lendo o maravilhoso "Pêndulo de Foucault" do Umberto Eco e eis que, derrepente, trombo no tal do sítio www.misteriosantigos.net que vende de tudo, mais um pouco e, também, algumas camisetas dos Templários. Jaques de Molay, citado no livro, é um dos Brasões que podem ser adquiridos e, posteriormente, ostentados por ai. Não preciso dizer que fiquei fascinado e quando vi, em letras vermelhas, que o FRETE É GRATIS... bastaram alguns cliques e eu já tinha duas camisetas sob minha mira. Mistério dos mistérios, o frete gratis se transformou na opção entre um sedex de trinta reais ou um pac de dezenove.  Como que o anunciado Frete Gratis custa quase tanto quanto uma camiseta? Que mistério é esse, que faz com que seja importante enganar o consumidor? Depois, já indignado, descobri que o tal do Frete Gratis era apenas para a compra superior à quantia de trezentos reais. Ora, ora... até capturei a tela, para que não digam que estou inventando... É mesmo um dos mistérios mais antigos este de enganar o freguês, o consumidor. Atrair e depois explicar.... tanto trabalho, quando bastava ser honesto. Talvez, além de não desistir da compra eu ainda indicasse o sítio para outras pessoas... Talvez nunca!

Barravento


Este mês vai completar 30 anos da morte de Glauber Rocha. Glauber, o gênio da lente. 
Ou, com lente... ou não. 


 Ontem assisti pela primeira vez seu primeiro longa: Barravento. Feito no início dos anos sessenta, reflete a ebulição política e social do Brasil  daqueles anos. Tenta pensar e fazer pensar políticamente. Mesmo Glauber dizendo que esqueceremos Lennin, mas nunca Maiakovsky... seu cinema era inovador, estético e, sobretudo político. Era engajado, de "esquerda", enfatizando a exploração do trabalhador pelo dono do "Capital" e a luta de classes. Era "possuído" por uma dialética Marxista. Ao mesmo tempo, os planos são épicos. Um épico a cada cinco minutos. Muita luz natural na busca de uma estética de "externas", anti-industrial, em confronto direto, e assumido, com os filmes de "estúdio". Sua busca frenética por uma estética nacional, liberta do colonizador, acabou identificando-o, mais tarde, como ponta de lança do chamado cinema novo.
Mas voltemos ao "Barravento". Um filme que acende o pavio, o vê queimar e na hora da explosão se limita a ir embora. Cenas e planos maravilhosos nos mostram uma colonia de pescadores em um litoral sem mapa ao mesmo tempo iconográfico. Não tem geografia por ser de qualquer lugar e atemporal, mas tem registro cultural e sobretudo comportamental. Mostra a importância e a influência da religião no reino da ignorância, discutindo a influência, mesmo ao perdoá-la no beijo final e na compreensão do personagem Aruã. Essa coisa do fatalismo religioso, digamos assim... rondando e se impondo sempre. Um que de cíclico posto que o filme termina no mesmo lugar em que começa. No mesmo lugar em que o personagem Firmino chega da cidade, Aruã vai para a cidade... Profético? Talvez... o primeiro veio com idéias e o segundo vai em busca de dinehiro. Talvez a maior semelhança/diferença do Brasil de então com o de hoje. 


PS: Daria um quindim para saber o que Glauber diria do governo Lula...