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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Ainda o Belas Artes: Saiu na Folha!

DESTINO IMPREVISÍVEL
 
O que não se pode prever é o desenrolar do cabo de guerra entre os proprietários do imóvel e do cinema.
Se houver um novo acordo de aluguel, o filme deve ter um final feliz. Se o negócio continuar desfeito, o prédio na esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação pode, simplesmente, ficar com as portas cerradas.
O Estado, afinal de contas, não pode obrigar o proprietário do imóvel a tocar ali a atividade cinematográfica.
O tombamento garante a estrutura física do bem, mas se Flávio Maluf quiser manter as luzes do Belas Artes apagadas, ninguém poderá obrigá-lo a acendê-las.
Cabe lembrar que a cidade de São Paulo possui, na região central, sete cinemas tombados: Cine Art Palácio, Cine Dom José, Ipiranga, Marabá, Marrocos, Metrópolis e Paissandu. Todos eles foram considerados patrimônio da cidade no processo de tombamento da área do Vale do Anhangabaú, em 1992.
Quase 20 anos depois, o único que voltou a funcionar como cinema foi o Marabá, transformado em Multiplex. Os outros estão fechados.
O Ipiranga e o Marrocos já foram decretados como bens de utilidade pública e a secretaria de Cultura tem projetos prontos para ambos.
Se a história ensina que o tombamento, por si, não basta, o episódio mostra que São Paulo, tradicionalmente desapegada de sua feição antiga, desenvolveu um instinto de preservação patrimonial e cultural. Além de um espaço que resistiu ao tempo, os paulistanos parecem ter decido manter um espaço que resistiu à mesmice cultural. 

ANA PAULA SOUSA
DE SÃO PAULO