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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Acessibilidade

Então... o tema é da moda. E nem parece... Pois o que mais se vê por ai é calçada em que é difícil circular como pedestre saudável e atento... imagine você um mínimo de dificuldade por conta da idade, uma muleta ou umas rodinhas. Difícil, não?! Eu sei que o "Poder" tem se esforçado e que as calçadas da Av. Paulista são de dar inveja, que o Metrô tem elevadores e que muitos locais de acesso público tem feito as reformas necessárias para a adequação. Agora, dá licença, mas toda a minha formação e estudo não são suficientes para engolir "isso" que a foto a seguir mostra. Olhe, pode até ser lei, pode até ter sido autorizado, recebeu alvará, essa bobagem toda, mas é contra o bom senso. Alguém, por favor, me explique.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

A vida é cheia de surprêsas...

Verdade... ora boas, ora nem tanto. De repente, aquela foto que você pensava sumida, perdida pra nunca mais, lhe aparece de mão beijada. Assim... só isso. É ou não é de enrolar caraminhola. Uns pagam suas contas, outros não... e vai se levando, rezando uns dias sim, outros nem tanto. Pensando bem, vale o dito pelo não dito e "nequaquam vacuum" pode ser interpretado de duas maneiras: Uma, a dizer que não há vacuo e, outra, a dizer que não pode haver... Enquanto isso o Patrimônio Histórico vai pelo ralo e nós, bem, nós tentamos não afundar no mar de impóstos e taxas que dão vida boa para os políticos e os parasitas deste país. De repente, também, a Jaqueline é absolvida... O que uma coisa tem a ver com a outra? Nada.

A foto? Sim, a foto é de 31/10/1978. Retrata uns ainda vivos e outros... na memória.

PS: para o caso de vc ser muito curioso e para não me dar por morto, que nestas coisas sou supersticioso, eu sou o verde...

domingo, 28 de agosto de 2011

Lourenço Diaféria (1933-2008)

Lourenço Diaféria era o cara. Eu lia Lourenço toda vez que publicado, desde que me dou por gente. Em Jornal e Livro. Em 1977 comecei a faculdade e foi o ano das mudanças começarem, dos primeiros raios de sol da democracia despontarem no horizonte. Íamos pra rua, fazer passeata, correr da polícia e pedir guarida na Catedral da Sé. E Lourenço lá na trincheira que ele conhecia tão bem: sua maquina de escrever. O Cronista paulistano por excelência. Lourenço faria hoje 78 anos. Saudade.

Escolhi este texto dele, pois me marcou muito à época e me emociona sempre que o leio. Por conta deste texto Lourenço foi preso...
 

HERÓI. MORTO. NÓS.
[Crônica publicada em 1º de setembro de 1977 na Folha de S. Paulo]

Neste texto foi mantida a grafia original da época



Lourenço Diaféria

Não me venham com besteiras de dizer que herói não existe. Passei metade do dia imaginando uma palavra menos desgastada para definir o gesto desse sargento Sílvio, que pulou no poço das ariranhas, para salvar o garoto de catorze anos, que estava sendo dilacerado pelos bichos.

O garoto está salvo. O sargento morreu e está sendo enterrado em sua terra.

Que nome devo dar a esse homem?

Escrevo com todas as letras: o sargento Silvio é um herói. Se não morreu na guerra, se não disparou nenhum tiro, se não foi enforcado, tanto melhor.

Podem me explicar que esse tipo de heroísmo é resultado de uma total inconsciência do perigo. Pois quero que se lixem as explicações. Para mim, o herói -como o santo- é aquele que vive sua vida até as últimas consequências.

O herói redime a humanidade à deriva.

Esse sargento Silvio podia estar vivo da silva com seus quatro filhos e sua mulher. Acabaria capitão, major.

Está morto.

Um belíssimo sargento morto.

E todavia.

Todavia eu digo, com todas as letras: prefiro esse sargento herói ao duque de Caxias.

O duque de Caxias é um homem a cavalo reduzido a uma estátua. Aquela espada que o duque ergue ao ar aqui na Praça Princesa Isabel -onde se reúnem os ciganos e as pombas do entardecer- oxidou-se no coração do povo. O povo está cansado de espadas e de cavalos. O povo urina nos heróis de pedestal. Ao povo desgosta o herói de bronze, irretocável e irretorquível, como as enfadonhas lições repetidas por cansadas professoras que não acreditam no que mandam decorar.

O povo quer o herói sargento que seja como ele: povo. Um sargento que dê as mãos aos filhos e à mulher, e passeie incógnito e desfardado, sem divisas, entre seus irmãos.

No instante em que o sargento -apesar do grito de perigo e de alerta de sua mulher- salta no fosso das simpáticas e ferozes ariranhas, para salvar da morte o garoto que não era seu, ele está ensinando a este país, de heróis estáticos e fundidos em metal, que todos somos responsáveis pelos espinhos que machucam o couro de todos.

Esse sargento não é do grupo do cambalacho.

Esse sargento não pensou se, para ser honesto para consigo mesmo, um cidadão deve ser civil ou militar. Duvido, e faço pouco, que esse pobre sargento morto fez revoluções de bar, na base do uísque e da farolagem, e duvido que em algum instante ele imaginou que apareceria na primeira página dos jornais.

É apenas um homem que -como disse quando pressentiu as suas últimas quarenta e oito horas, quando pressentiu o roteiro de sua última viagem- não podia permanecer insensível diante de uma criança sem defesa.

O povo prefere esses heróis: de carne e sangue.

Mas, como sempre, o herói é reconhecido depois, muito depois. Tarde demais.

É isso, sargento: nestes tempos cruéis e embotados, a gente não teve o instante de te reconhecer entre o povo. A gente não distinguiu teu rosto na multidão. Éramos irmãos, e só descobrimos isso agora, quando o sangue verte, e quanto te enterramos. O herói e o santo é o que derrama seu sangue. Esse é o preço que deles cobramos.

Podíamos ter estendido nossas mãos e te arrancando do fosso das ariranhas -como você tirou o menino de catorze anos- mas queríamos que alguém fizesse o gesto de solidariedade em nosso lugar.

Sempre é assim: o herói e o santo é o que estende as mãos.

E este é o nosso grande remorso: o de fazer as coisas urgentes e inadiáveis -tarde demais. 
 

a tragédia do Bonde - Patrimônio Histórico abandonado

Olhe, eu sei que você já sabe, que já leu... viu até o sangue escorrendo por entre os paralelepípedos. Eu sei. Mas eu preciso falar, não posso me calar diante de mais uma tragédia anunciada. O Brasil... ôpa, o Brasil não, que nós não temos culpa e se temos é só em parte. As autoridades a quem a responsabilidade toca, estas autoridades nada fazem e se puderem fazer, farão contra. Eu era bem moleque e acabaram com o Bonde em São Paulo. Eu fiz a maior campanha na minha casa e consegui ir na última viagem do Bonde de Brooklin a Sto. Amaro, naquela que hoje é conhecida como Av. Vereador José Diniz. O Bonde passava atrás do Clube Banespa e se podia avistar as quadras. Era como olhar o proibido, o escondido por trás de muros e árvores... Depois andei de Bonde na europa e entendi que era por isso que se chamava "velho continente". Um monte de coisa "velha", Castelo, ruina, museu e, pasmem, até Bonde. Graças a Deus, pude crescer e estudar o suficiente para saber que quem preza seu passado, suas origens e raízes é que prospera. Em Santos eles têm um pequeno trecho de Bonde, mais para turistas e muito gostoso de se andar. Passa perto do Museu do Café, antigo prédio da Bolsa do Café, aonde se pode aprender um pouco sobre a importância que este produto já desempenhou na economia do país. Por lá anda até um carro que já foi do Porto (Portugal) e outros carros mais antigos, com os condutores a caráter. Vale o passeio. 
E no Rio? Ora, a coisa mais linda, aquele Bonde passando por cima dos Arcos da Lapa. É emocionante e belo, de ver e de andar. Este Bonde serve à população em geral e, também, leva turistas. Sai lá perto da Catedral nova e vai pra Sta. Teresa (com s ou z?). Lindo e útil.
Ai vagabundo não cuida, deixa apodrecer, sair do trilho... matar. É triste.
 Mas a tragédia maior é que este transporte não existe mais entre nós. Não é valorizado. Como é que pode? Quem lucrou com a extição deste serviço nas cidades brasileiras? Quem? Lula e Zé Dirceu eram crianças, estão fora. Maluf? Não mandava nada ainda. Sobrou pro Adhemar... ou será que foi militar? Carece apurar...

Gente: O Bonde do Rio é Patrimônio Histórico! Que tal cuidar? E eu volto a perguntar: cadê o MP?

sábado, 27 de agosto de 2011

Cinema na Pacata Vila

Ó, o negócio é o seguinte: ontem estreiou o "Cine Câmara Vasco Barione". Iniciativa de grande mérito, começou com o pé direito. Coisa de gente grande. Além de se propor a divulgar o cinema nacional de qualidade, não comercial, ainda deseja fazê-lo gratuitamente. Inicia com uma sessão mensal. Vamos ver.
Ontem foi a vez do filme da terra, feito na terra, por gente da terra. O surpreendente "?Como assim? O filme" dirigido pelo competente Roque Gabriel Rodrigues, com roteiro de Humberto Gomes baseado em fatos reais. Eu gostei.
Outro grande momento da noite, foi a promessa do Presidente da Câmara Municipal de São Roque, vereador Tio Milton, de se empenhar no sentido de unir as forças vivas da sociedade local para salvar o antigo "Cine São José", honrar a memória de Vasco Barione e fazer daquele o espaço de cultura por excelência de que a cidade tanto precisa. Nós já falamos daquele espaço neste blog... São Roque merece!
Podemos adiantar, também, que o Cine Clube, que tanto desejamos, está dando seus primeiros passos...

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

1951 - Primeiro Campeão Mundial


Em janeiro de 1951, o periódico brasileiro O Globo Sportivo noticiava em destaque que o presidente da FIFA, senhor Jules Rimet, concedera apoio incondicional ao torneio de clubes a ser realizado no Rio de janeiro.

Assim, o Primeiro Campeonato Mundial de Clubes de 1951 contou com a participação de oito times, divididos em duas chaves de quatro: Vasco da Gama (Brasil), Áustria Viena (Áustria), Nacional (Uruguai) e Sporting (Portugal), com sede no Rio de Janeiro; Palmeiras (Brasil), Juventus (Itália), Estrela Vermelha (Iugoslávia) e Olympique (França), com sede em São Paulo. Detalhe: este mesmo número de agremiações, as cidades-sedes e o modelo de disputa seriam novamente adotados pela FIFA no Campeonato Mundial de Clubes do ano 2000.
O entusiasmo para participar desta competição era tanto que a Associação Uruguaia de Futebol suspendeu o Campeonato Competência durante o período de 25 de junho a 27 de julho para que o Club Nacional de Football pudesse representar à altura o título conquistado na Copa de 1950, conforme ata do dia 15 de junho de 1951, assinada por dirigentes de todos os clubes da primeira divisão do futebol uruguaio. O mesmo aconteceu em São Paulo, onde o Campeonato Paulista foi paralisado, dando a dimensão da importância do evento.
A final, em dois jogos, foi disputada entre Palmeiras e Juventus. Os palmeirenses conseguiram vencer um e empatar o outro jogo conquistando assim a Copa Rio, o primeiro campeonato mundial de clubes.

1942 - De Palestra a Palmeiras

Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1942, por causa de decreto do governo Getúlio Vargas, que proibia em qualquer entidade o uso de nomes relacionados aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), o Palestra Itália foi obrigado a mudar de nome, passando a chamar-se Palestra de São Paulo, posto que "palestra" é uma expressão grega, o que não contrariaria a decisão governamental. A mudança não aplacou as pressões políticas e até esportivas e, sob pena de perder seu patrimônio para outro clube e ser retirado do campeonato que liderava, o Palestra viu-se obrigado a mudar de nome novamente. Nas vésperas da partida final do campeonato paulista, que seria realizada em 20 de setembro de 1942, a diretoria palestrina, em reunião tensa, mudou o nome do clube. Quando as discussões estavam no auge, o Dr. Mario Minervino pediu a palavra e solicitou ao secretário, Dr. Pascoal W. Byron Giuliano que anotasse na ata:
- Não nos querem Palestra, pois seremos Palmeiras e nascemos para ser campeões.
A partida final foi tensa, nosso adversário foi o São Paulo Futebol Clube, com quem os ânimos estavam acirrados no episódio da troca de nome, já que eles reivindicavam para si o patrimônio do então Palestra Itália.
O Palmeiras entrou em campo conduzindo a  bandeira brasileira sob o comando do capitão do Exército Adalberto Mendes. O Palmeiras vencia o jogo por 3 a 1 quando teve um pênalti a seu favor. Foi então que o São Paulo Futebol Clube, que instruiu seus atletas a encararem os jogadores do Palmeiras como inimigos da Pátria, desistiu do jogo e deixou o campo sob vaias até da própria torcida. As comemorações começaram ali. No dia seguinte, os jornais esgotaram-se nas bancas. Todos queriam ver a foto do Palmeiras entrando em campo e a manchete: "Morreu líder, nasceu campeão".

Palestra Itália

Hoje é aniversário da Sociedade Esportiva Palmeiras:
97 aninhos. Só alegria!
 Nasceu Palestra Itália e, por conta de Getúlio Vargas, precisou mudar de nome em 1942...
e tem mais: 60 anos do primeiro título de Campeão Mundial interclubes (1951). 
Maior Campeão do Séc. XX...  
Eu não disse? Só alegria... 

Taça ganha no Mundial de 1951


Mundial Interclubes: 1951
Copa Libertadores da América : 1999
Copa Sul-Americana Mercosul: 1998

8 vezes Campeão Brasileiro!
22 títulos paulistas
5 Rio-S.Paulo
3 Ramon de Carranza
incontáveis outros troféus
e até uma título nacional da série B

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O abalo sísmico... 50 anos

Isso mesmo: terremoto! Mas não daquele que faz cair coisa da prateleira e incentiva pessoas de pijama a irem para o meio da rua. Não, nada disso. Falo do Terremoto cujo efeitos o Brasil sentiu por mais de 20 anos. A renuncia de jânio da Silva Quadros em 25/08/1961... Ô Fera maluca. Pensou que viriam correndo atrás dele, pedir para voltar e outras bobagens mais. Que nada... Os militares ficaram tão nervosos com a possibilidade do Jango assumir que esqueceram do Jânio. Tiro pela culatra é isso! Sem dó nem piedade. Olha, sujeito maluquete tava lá. Inventou o político moderno, o marqueting eleitoral da vassoura e da banana embrulhada em jornal velho. Quando no palanque, desenbrulhava uma banana de um jornal velho e gritava a plenos pulmões de que aquela seria a sua refeição naquele dia. O povo delirava já com a vassoura, imagina quando viam a banana no jornal... Rapaz, a figuraça aprontou até onde não dava: pendurou medalha no peito do Chê Guevara. Quem teve esta coragem? Me digam... 
Depois, foi a lambança das lambanças... e acabou Prefeito em Sampa. A gente até gostava do cara. Desinfetou a cadeira, em um episódio que acabou famoso e envolveu o Sr Fernando FHC Henrique Cardoso. Ele mesmo saia para multar, vistoriar e até ralhar. Jânio escrevia bem, falava melhor ainda e tinha suas tiradas absolutamente geniais. Algumas ele talvez nunca disse, mas o folclore grudou-as nele. Frases do tipo: "Fi-lo, porquê qui-lo" e "Bebo porquê é líquido, se fosse sólido, comê-lo ia"; já fazem parte do anedotário nacional... Mas se você quer conhecer um Jânio que você ainda não conhece, recomendo que se leia "Os dois mundos das três américas". Upa-lá-lá... esse vale a pena.


PS: a primeira foto é do adeusinho na Base Aérea, quando da renuncia... A segunda e a terceira não precisam legenda. Tudo da internet, sem pai nem mãe. Eu ainda sei dizer que a primeira é da Agência Estado, mas as outras duas... desculpem.

PS2: hoje foi o enterro de um colega meu lá dos tempos do curso primário, do tempo em que ainda tinha Guarda Civil, Pirulito Kibom e Professora que dava na gente com régua de madeira... Tempos em que os tanques começaram a circular pelas ruas, graças, em grande parte, ao gesto tresloucado deste Senhor Jânio.  RIP

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A Pacata Vila

Já foi mais pacata um dia. Hoje somos uma cidade, com quase todas as consequências, que foi fundada em 16 de Agosto de 1657 pelo nobre capitão paulista Pedro Vaz de Barros, conhecido também como Vaz Guaçu, O Grande. A cidade recebeu o nome São Roque devido a devoção de seu fundador por este santo. Atraído pela região, estabeleceu-se com sua família e por volta de 1.200 índios as margens dos ribeirões Carambeí e Aracaí, começando assim, a cultivar trigo e uva.
Mais tarde, imigrantes italianos e portugueses cobriram as encostas dos morros com vinhedos, instalaram suas adegas e transformaram São Roque na famosa "Terra do Vinho". Em 1681, Fernão Paes de Barros, irmão do fundador, constrói a Casa Grande e a Capela de Santo Antonio, em taipa de pilão, vindo esta a servir como parada e pousada dos Bandeirantes, que desciam o Rio Tietê em busca de ouro e esmeraldas.
Em 1832, São Roque foi elevada à condição de vila e, em 1864, à categoria de município. E, em 1990, devido ao seu grande potencial no cenário histórico, artístico, ecológico e cultural, foi transformada em Estância Turística. Com um ótimo clima serrano, paisagens belíssimas e povo hospitaleiro, São Roque dispõe de uma excelente infra-estrutura hoteleira, bons restaurantes, um amplo comércio e os mais saborosos vinhos da região. À apenas 60 Km de São Paulo e servido por duas grandes Rodovias - Raposo Tavares e Castelo Branco - São Roque oferece aos visitantes opções de lazer com ar puro e muita tranqüilidade.







Foto colorida: Capela St. Antônio com a Casa Grande ao fundo (foto Kogl). 
Fotos P&B: acervo "Foto Studio São Roque" - Câmara Municipal de São Roque.
Fonte: http://www.saoroque.sp.gov.br/historia.asp

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O consumo pornográfico de Sex and the City

por  Haroldo Ceravolo Sereza

O consumo, tal qual o conhecemos, é uma criação do capitalismo. O hiperconsumo é uma necessidade do hipercapitalismo. Por isso gostamos tanto de Sex and the City: mais do que apologia ao consumo, a série e os filmes dela decorrentes se transformaram, no início deste século, numa lição de como consumir compulsivamente.
Quem podia se comportar como Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte passava a comprar com confiança bolsas enormes e exuberantes, joias em que a logomarca valia mais do que o metal e as pedras preciosas, e sapatos, sapatos, sapatos. E, para que os homens também fossem aceitos nessas aulas de hipercapitalismo, o homem-objeto de consumo era alguém que atendia pelo apelido nada discreto de “Mr. Big”, um operador do mercado financeiro, claro. 
Quem não podia recebia, durante a exibição de cada episódio, uma dose de ilusão e, ao mesmo tempo, de conhecimento necessários para aceitar a dominação que nos é imposta diariamente pelo sistema (im)produtivo. Aprender o comportamento “ideal”, mesmo que não possamos segui-lo: assim a ideologia nos controla.
O prazer de ver Sex and the City vem justamente disso: o que nos outros filmes aparece envergonhadamente, ou melhor, desavisadamente, ganha ali um despudor ampliado por lentes de aumento e closes em produtos e marcas. 

Divulgação

Carrie (Sarah Jessica Parker) em cena do filme, com vestido que faz apologia a Christian Dior

Sem meias palavras: a série de Carrie está para as demais assim como os filmes eróticos estão para os lançamentos banais de Hollywood. As marcas Gurgel, Telefunken, Motoradio, Champion, Bamba (troquei os nomes só de sacanagem, pra não fazer propaganda pra quem tem verba para isso) aparecem enormes, onipresentes, roubando a cena dos atores.
O que excita em Sex and the City não são as cenas de sexo – nem mesmo as de Samantha, a mais “ardente” das quatro fantásticas – que passam Nova York em revista. A identificação feminina vem das cenas de compra. Como anti-Cinderelas, o problema delas não é beijar o príncipe encantado, mas encontrar o sapato de cristal da estação. Não o sapato dos sonhos, porque o sapato dos sonhos não existe – quando ele é comprado, é como se o “orgasmo” da compra esgotasse todo o seu valor de uso.
Desrespeitando os conceitos de Freud e Marx ao mesmo tempo, poderíamos dizer que o fetiche da mercadoria acaba quando as meninas passam o cartão de crédito na maquininha.
Mas, se o consumo pornográfico de Sex and the City excitava, Sex and the City 2 brocha.
Voltemos à primeira versão cinematográfica.
Como num bom filme erótico, tudo parecia adequado ao clímax que vinha a seguir: cada cena tinha um objetivo único – mostrar uma marca e estimular seu consumo. Uma grife de roupas, um carro, um computador capaz de escrever os livros tão desejados de Carrie, um mecanismo de busca na web. Passamos o filme inteiro sem entender por que a personagem de Sarah Jessica Parker tinha uma televisão tão velha. Será que nenhuma empresa da área quis sua cota de patrocínio do filme?
Não, no final, Carrie compra uma TV último tipo. Não basta exibir o logo, não bastava deixar subentendida a negociação: era preciso exibir a cena crua e explícita da compra e da instalação da novidade na casa de Carrie. Claro que tudo isso embalado por um romance à moda do novo século, o XXI.
Seguindo o lugar-comum clássico da literatura erótica vitoriana, que buscou no final do século XIX a excitação no exotismo oriental, as mulheres de Nova York em crise econômica partem, em Sex and the City 2, para uma aventura no mundo muçulmano. Encontram num emirado árabe a promessa de luxo e prazer que, na cidade norte-americana, parecem estar proibidos – ficaram amorais em tempos de contenção. A fantasia tem, assim, de se deslocar para o desconhecido.
Ocorre que – isso está posto pelas regras do império – no mundo árabe não pode haver liberdade para a mulher; nem para comprar, vejam só (#ironia).
Quando Carrie e Miranda vão ao mercado, logo são advertidas de que haverá uma cilada, cuja isca é um relógio. No mercado, Carrie quer gastar, mas descobre que os sapatos que tanto a encantaram custam apenas 20 dólares. Em vez de excitação, a cara dela é de lamento: o preço é baixo demais para uma cena explícita de consumo. Comprar todos os sapatos da loja a esse preço, como descobriremos no fim do filme, será um gesto de amor e agradecimento, mas jamais de paixão.
Depois de alguma confusão rocambolesca, as nova-iorquinas vão encontrar o que desejam: num lugar fechado, escondido, as mulheres muçulmanas são, quem diria, iguais a elas, debaixo da burca. Realidade ou sonho de realidade? Será mesmo que o problema da mulher árabe e muçulmana é o mesmo da mulher nova-iorquina?
É preciso dizer, ao contrário do que alguém pode estar entendendo (e talvez essa seja a leitura mais comum da série e dos filmes), que Sex and the City não excita apenas as mulheres. Excita homens e mulheres. Porque assistir a cenas de consumo pornográfico é algo que está no desejo de todos.
A escolha que fazemos nós – roteiristas, diretores, produtores e público – por quatro mulheres estereotipadas (a sensível Carrie, a fogosa Samantha, a executiva Miranda e a “mulherzinha” Charlotte) tem tudo a ver com a fantasia que está por trás dessa história toda.
Os homens podem até fingir que não gostam do consumo pornográfico, assim como há mulheres que fingem não gostar de filmes eróticos. Em alguns casos, é resistência legítima. Em outros, não passa de tipo.

*Haroldo Ceravolo Sereza é jornalista e diretor de redação de Opera Mundi; e ele, expressamente e gentilmente, autorizou esta publicação aqui neste espaço. Obrigado Haroldo!

o original deste texto você lê aqui se quiser...

Banco do Brasil e outros desrespeitos ...

Vai tratar cliente mal assim... na PQP! Pô, que desrespeito: não tem uma vez que eu entre lá que eu não seja mal atendido, por funcionários desinteressados que pouco, ou nada, se importam com o cliente. Claro, o dele tá garantido. Ele não depende de atender bem para receber no fim do mês. 
O "tar" do BB comprou a Nossa Caixa, Banco este que detinha todas as agências e postos dos Foruns do Estado de São PAulo. Pois bem, depois disso é Salve-se quem puder e Deus nos acuda. Vou logo dizendo, se eu quisesse ser cliente desta bagaça tinha entrado em uma agência e solicitado o formulário de adesão, mas não... Fui adquirido junto com a Nossa Caixa e, por isso, só por isso, esse bando que se intitula bancário pensa que pode "burrocratizar" o atendimento e tratar com desdém quem trabalha e tem mais o que fazer. Eu digo e repito, se intitula bancário, pois não o é. Bancário é uma categoria de trabalhadores e isso é tudo, menos o que um funcionário daquela casa bancária faz. E não estou generalizando não, estou descrevendo a minha experiência de anos com aquela instituição. Imagine você que botam só um caixa para atender na hora do almoço (hora de maior movimento) e este ainda o faz com cara feia. Inventam "burrocracias" inexistentes, de há muito abolidas, apenas para recusar o atendimento. Possuem regimentos e regulamentos diferentes para cada agência já que se você entrar em uma agência central é uma coisa e se entrar no posto do Forum "a" é outra e no Forum "b" novamente outra... E não é só padronização de atendimento não, diferença de horários da cidade "A" para a cidade "B", do Forum "A" da cidade "A" para o Forum "B" da mesma cidade "A"... Gente desqualificada, destreinada... pra dizer o menos. O cliente, o consumidor... ora, que se dane, que espere, que agradeça que lhe é permitido respirar os infectos ares de suas agências.
Melhor, só a loja do Shopping "chique" que ostentava um cartaz no início desta noite fria de terça, prometendo liquidação de até 50% que se revelava inexistente no interior da loja. Com a maior cara de pau, depois, a atendente informa que o cartaz foi "esquecido" lá... que isto não vale mais.
Tudo um desrespeito só, mais nada. 

domingo, 21 de agosto de 2011

Suar a camisa, traz resultado...



Primeiro resultado: fede e tem de lavar. Portanto, sai da inércia. Agora, se for camisa de jogador brasileiro da Seleção sub-20, ai traz caneco. Acompanhei os meninos na Sul-Americana e agora no Mundial da Colômbia. É de tirar o chapéu!! Nota dez para todos.
Esses meninos não precisam do Mano, não precisam da Globo, não reclamam da altitude e jogam muito, sem esmoecer ou perder a fé. Vão até o último minuto, como o torcedor gosta de ver. Não tem lero-lero, só tem vem cá que eu também quero. Parabéns!!
Detalhe: este time vai estar maduro em 2014. #ForaMano, Ney Franco em seu lugar!!!
E o Neymar mercenário que se cuide. Primeiro que o time foi campeão mundial sem ele, segundo que tem Dudu, tem Negueba, tem Oscar etecétera e tar. Não faltou Neymar! #Neycenário
Aliás, o que está fazendo o Neymar? Depois que lhe disseram que ele vale o salário que ganha mais um monte, ele só faz ajudar o Santos a treinar para a segundona de 2012...


PS: ó! Seguinte: a foto é minha. Se quiser usar, zuzu bem, mas cite a fonte.

sábado, 20 de agosto de 2011

Aonde vamos parar?

Olha, de um modo ou de outro, com ou sem censura a vida fluia dentro de uma certa normalidade ditatorial nos anos setenta, digamos assim. Quem tava no poder fazia das suas e quem não tava... reclamava para o Bispo. Hoje a coisa ta descarada. Tão descarada, que nem para o Bispo se pode reclamar mais. Tipo o convênio meia-boca que fez um monte de dinheiro cair nos cofres da PUC-SP (em última análise, pertencente à Arquidiocese paulista). Descarada mesmo. Tudo bem que lá se diga que não se sabia de nada, que se vai apurar, que se vai devolver e coisa e tal... Pô, e se ninguém denuncia? Ia devolver também?
Veja que até uma cidade que nem destino turístico é, recebe dez vezes (Dez vezes!) mais verba do que tradicionais destinos turísticos, inclusive mundialmente conhecidos. Nem disfarçar se disfarça mais. Nada. Bobagem, disfarçar pra quê? Vai acontecer alguma coisa? Quem deveria mandar, vai dizer que não sabia de nada. Quem mandou vai arrumar alguma desculpa e todos serão demitidos. Só que inquérito e processo... bau-bau... Pizza! Cada qual com o seu e pronto. 
No meu modesto entendimento, salvo melhor juízo, ta mais do que na hora de se aplicar aquele mínimo de bom senso que até o gatinho lá de casa tem: muito simples, é só evocar um instituto jurídico chamado de "culpa in eligendo". Pronto, simples assim: quem escolheu, quem nomeou é que paga o pato. Dilminha: se cuida viu?! Pouco importa vir a público dizer que foi nomeação do Partido isso, Partido aquilo, nem mesmo se for do Partido Alto. Entendeu? Pois é, chega dessa semvergonhice descaramentada (como diria Odorico Paraguaçú).
Caro leitor, eu pergunto: Alguém, assim... de vossa modesta lembrança, já pagou o pato? Só se for aquele pato com laranja lá do Fasano... certo? Pois é... do jeito que a coisa anda, acho que nem este pato estão pagando, pois pede-se a nota e debita-se a despesa em alguma repartição.


Fonte: Folha de São Paulo

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

II Congresso Nacional do Cangaço CEP/UFCG


O II Congresso Nacional do Cangaço e a III Semana Regional de História do CFP/UFCG terão como tema: NORDESTES E NORDESTINIDADES: histórias, representações e religiosidades. Os eventos serão conjuntos e configuram-se como uma oportunidade singular e inovadora que busca promover a discussão em torno das questões que envolvem todo o processo de construção das representações sobre o Nordeste, dentre elas a sua religiosidade, sua vinculação com o cangaço, suas manifestações culturais, suas identidades, enfim, sua própria historicidade.

A Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBEC, desde sua fundação em 13 de junho de 1993, vem ampliando sua atuação e buscando novos parceiros. Este ano ao firmar parceria com a Unidade Acadêmica de Ciências Sociais, do Centro de Formação de Professores (UFCG) em Cajazeiras, busca ampliar as suas fronteiras de atuação, pois entende tratar-se de um momento ímpar que se renova periodicamente com a finalidade de promover o diálogo entre historiadores e pesquisadores de outras áreas de conhecimento. A participação de estudiosos dos assuntos relativos ao Nordeste provenientes dos mais diversos estados brasileiros provoca a profícua articulação das discussões sobre novas temáticas, abordagens, objetos de pesquisa, metodologias de pesquisa e ensino, teorias e práticas do fazer historiográfico local, regional e nacional com o que está sendo discutido em outros espaços do país e do mundo em relação ao cangaço e a outras temáticas relacionadas à região e a seus habitantes.

Pode-se afirmar que o II Congresso Nacional do Cangaço e a III Semana Regional de História do CFP/UFCG representam a oportunidade do conhecimento historiográfico ganhar novo fôlego, acolher novos desafios, analisar os novos limites e os diálogos interdisciplinares, fazer-se mais atuante na sociedade e aproximar o tema da realidade vivida entre os docentes do ensino fundamental e médio, com o fim de melhorar e democratizar as discussões, bem como o acesso e a construção da história.

Diante da responsabilidade com o conhecimento histórico e a necessidade da aproximação entre a pesquisa, extensão e o ensino da História em suas particularidades é que o II Congresso Nacional do Cangaço e a III Semana Regional de História do CFP/UFCG configuram-se num centro irradiador desses diálogos, algo de extrema relevância para o desenvolvimento coletivo do projeto de produção do conhecimento na Universidade e da sua atuação na sociedade. Para tanto, as atividades desenvolvidas buscarão aprofundar tais diálogos através de conferências, exposições, minicursos, oficinas, grupos de trabalho, mesas de debates e encontros

Quaisquer dúvidas entre em contato pelo e-mail: duvidas.cangaco@gmail.com

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

novidades da Pacata Vila dos Tempos do Império

Terminadas as intermináveis festas de agosto vem ai o Cine Câmara e a semana de Fotografia...

 somos otimistas: vai dar tudo certo...
Oremos...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

É proibido fumar

Pois é, se não é, deveria ser. Mas, agora, vamos falar de cinema de qualidade. Não é à toa que arrebatou o 42º Festival de Brasília. Levou tudo que eles ofereciam por lá. Isso mesmo, "É Proibido Fumar", filme de Ana Muylaert é coisa de gênio e quem não viu tem de ver. Tem filme que é assim mesmo. Você tem de ver e pronto. Inteligente, arrebatador e comovente. Filme família, que preza a solidariedade sem perder aquela pitada de TPM, digamos assim. Um pouco surreal e bastante incorreto, se olharmos pela ótica do "Políticamente correto" (desgraça total de nossos tempos...) Aliás, ainda bem que é assim, senão não seria o filme humano e sensível que acabou se revelando. O elenco então, é de sentar e ficar anotando o desfile de gente sã e capaz que perpassa a tela. 

           Saca só:

  • Gloria Pires (Baby)
  • Paulo Miklos (Max)
  • Marisa Orth (Pop)
  • Paulo Cézar Peréio (Zé Tadeu)
  • Alessandra Colasanti (Stellinha)
  • Dani Nefussi (Teca)
  • Paula Pretta (Vanilda)
  • Antonio Edson (Seu Chico)
  • Maurílio de Oliveira
  • Antonio Abujamra (Pepe)
  • Lourenço Mutarelli (Corretor)
  • Etty Fraser (Avó judia)
  • Marcelo Mansfield (Casal gay)
  • Rafael Raposo (Casal gay)
  • André Abujamra (Filho do Pepe)
  • José Abujamra (Neto do Pepe)
  • Theo Werneck (Tuco)
  • Thogun (Batera)
  • Pitty (Mikaela)
  • Lili Angel
  • Emerson Danesi
  • Magnu Souza
  • Henrique Silveira
  • Lucas Machado Candeias 
Senta ai e assiste. Com certeza vai te fazer bem ver gente normal na sua frente. 



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Censura de livros nos EUA? SIM!!!

Orra meu! Cresci ouvindo falar que nos Estados Unidos isso, nos Estados Unidos aquilo. Mas sobretudo que nos Estados Unidos Havia liberdade e Democracia. Hoje sei que não há nem uma coisa nem outra. Sobre Democracia falarei outro dia, mas certamente o que há por lá passa longe disso. Agora, liberdade... UAU! Eles não sabem o que é. Pensam saber, mas na verdade são vítimas da hipocrisia de seus governantes e de sua elite econômica. Imagina que por lá eles tem censura. Isso mesmo, censura de livros. É claro que não parte do Governo, mas existe a ponto de eles terem uma semana inteira dedicada a isto:

Banned Books Week: 

Celebrating the Freedom to Read

Neste ano a semana acontece de 24 de setembro a 1º de outubro e pretende "iluminar" a importância da primeira emenda (que trata da liberdade de expressão) e a importância do benefício da liberdade de informação. Professa-se, nesta semana, a liberdade intelectual, ou seja, a liberdade de acessar informação e expressar idéias, mesmo que estas sejam não ortodoxas e inpopulares. Curioso, ou não?! E você pensava que lá pode tudo, né? Se tiver grana... pode quase tudo. Se não tiver, cuide-se até para respirar pois você pode ser advertido e incentivado a ir respirar em outro lugar.

 Quer saber mais:

http://www.ala.org/ala/issuesadvocacy/banned/bannedbooksweek/index.cfm

  Ah! Pense por si mesmo... Pessoas livres, lêm livremente e pensam sozinhas...

lembre-se: "there is no spoon"! 

sábado, 13 de agosto de 2011

Mistérios antigos

Rapaz... tô lendo o maravilhoso "Pêndulo de Foucault" do Umberto Eco e eis que, derrepente, trombo no tal do sítio www.misteriosantigos.net que vende de tudo, mais um pouco e, também, algumas camisetas dos Templários. Jaques de Molay, citado no livro, é um dos Brasões que podem ser adquiridos e, posteriormente, ostentados por ai. Não preciso dizer que fiquei fascinado e quando vi, em letras vermelhas, que o FRETE É GRATIS... bastaram alguns cliques e eu já tinha duas camisetas sob minha mira. Mistério dos mistérios, o frete gratis se transformou na opção entre um sedex de trinta reais ou um pac de dezenove.  Como que o anunciado Frete Gratis custa quase tanto quanto uma camiseta? Que mistério é esse, que faz com que seja importante enganar o consumidor? Depois, já indignado, descobri que o tal do Frete Gratis era apenas para a compra superior à quantia de trezentos reais. Ora, ora... até capturei a tela, para que não digam que estou inventando... É mesmo um dos mistérios mais antigos este de enganar o freguês, o consumidor. Atrair e depois explicar.... tanto trabalho, quando bastava ser honesto. Talvez, além de não desistir da compra eu ainda indicasse o sítio para outras pessoas... Talvez nunca!

Barravento


Este mês vai completar 30 anos da morte de Glauber Rocha. Glauber, o gênio da lente. 
Ou, com lente... ou não. 


 Ontem assisti pela primeira vez seu primeiro longa: Barravento. Feito no início dos anos sessenta, reflete a ebulição política e social do Brasil  daqueles anos. Tenta pensar e fazer pensar políticamente. Mesmo Glauber dizendo que esqueceremos Lennin, mas nunca Maiakovsky... seu cinema era inovador, estético e, sobretudo político. Era engajado, de "esquerda", enfatizando a exploração do trabalhador pelo dono do "Capital" e a luta de classes. Era "possuído" por uma dialética Marxista. Ao mesmo tempo, os planos são épicos. Um épico a cada cinco minutos. Muita luz natural na busca de uma estética de "externas", anti-industrial, em confronto direto, e assumido, com os filmes de "estúdio". Sua busca frenética por uma estética nacional, liberta do colonizador, acabou identificando-o, mais tarde, como ponta de lança do chamado cinema novo.
Mas voltemos ao "Barravento". Um filme que acende o pavio, o vê queimar e na hora da explosão se limita a ir embora. Cenas e planos maravilhosos nos mostram uma colonia de pescadores em um litoral sem mapa ao mesmo tempo iconográfico. Não tem geografia por ser de qualquer lugar e atemporal, mas tem registro cultural e sobretudo comportamental. Mostra a importância e a influência da religião no reino da ignorância, discutindo a influência, mesmo ao perdoá-la no beijo final e na compreensão do personagem Aruã. Essa coisa do fatalismo religioso, digamos assim... rondando e se impondo sempre. Um que de cíclico posto que o filme termina no mesmo lugar em que começa. No mesmo lugar em que o personagem Firmino chega da cidade, Aruã vai para a cidade... Profético? Talvez... o primeiro veio com idéias e o segundo vai em busca de dinehiro. Talvez a maior semelhança/diferença do Brasil de então com o de hoje. 


PS: Daria um quindim para saber o que Glauber diria do governo Lula...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

11/08 Dia do Advogado


Constituição Federal

artigo 133: "O advogado é indispensável à administração da Justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da Lei."

OBS: foto tirada no Campus de Souza/PB da Universidade Federal de Campina Grande

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Em defesa do Exame de Ordem - OAB

É sabido... perdoem: é público e notório que as Faculdades de Direito não formam Advogados, como não formam Juízes, nem Delegados ou Promotores. Formam Bacharéis. E pronto. Ora, se o Bacharel quer ser Juiz, Promotor, Defensor ou Delegado, ele presta uma prova e depois vai fazer uma escola da Magistratura, do Ministério Público, da Polícia. Ora pois, então, Advogado também tem de provar se sabe, mínimamente, seu Mistér. A OAB aplica a prova por força de Lei Federal, ou seja, da Lei 8.906/94, conhecida também como Estatuto da Avocacia. Portanto, não é por prazer nem sadismo senhores, mas por força de Lei, com prerrogativas inseridas na Constituição Federal. E Tem mais: um exame destes custa caro elaborar e administrar. Garantir o sigilo das provas a serem distribuídas, pagar os fiscais das mesmas, as correções e antes disso a elaboração, a impressão e o aluguel dos locais de provas. Tem gente que pensa que isso não custa. Pois bem, a Ordem dos Advogados do Brasil é uma entidade que zela pelos seus, possui inúmeros programs de apoio, bibliotecas, livrarias, farmácias, convênios médicos, ambulâncias, milhares de funcionários em centenas de sedes e sub-sedes. Uma estrutura cara mas absolutamente eficiente na defesa das prerrogativas da classe e dos seus afiliados. Promove publicações, presta serviços e mantém a melhor escola de educação continuada que se possa querer, a Escola Superior da Advocacia. É justo que zele pela mínima qualidade de conhecimento dos que nela pretendem ingressar, dos que a ela desejam pertencer. 
Ser Advogado é um privilégio, um munus público, uma Honra e um imenso prazer. É mais do que desejável que se tenha colegas com um mínimo de qualidade na prestação de serviço à Sociedade, uma vez que, como dito na Constituição Federal, o Advogado é indispensável à administração da Justiça (CF art. 133). Sabemos que as Faculdades proliferaram quase que até em fundos de quintal e o Ministério da Educação não zela pela qualidade do ensino e nem sabe das verdadeiras arapucas ou consórcios de diploma que há neste País. Portanto, é mais do que necessário que haja Exame de Ordem para o ingresso na profissão de Advogado. 
Fazem um tremendo carnaval a respeito, vendem jornais e destacam nos noticiários o baixo índice de aprovação. Isso prova apenas uma única coisa: que os egressos das Faculdades, os chamados Bacharéis são incapazes. Não é o exame que é sádico e torturante. Vejam que basta acertar 50 questões em 100 e, depois, fazer uma Petição acertadamente e responder cinco questões dissertativas. Ou seja, meu Deus do céu, o cidadão não sabe pedir (Peticionar) e quer ser Advogado? Por favor. Venhamos e convenhamos, basta saber um único artigo do Código de Processo Civil, o de número 282, para acertar uma Petição e fazer com que a mesma seja recebida pelo Judiciário. Não precisa mais do que isso. Não se pede ao Bacharel que ganhe a causa, apenas que redija uma Petição com os requisitos mínimos para a sua aceitação e compreensão. Da retidão no vernáculo nem se fala, é basico e de se esperar. Assim, fica difícil entender a gritaria contra o Exame de Ordem e as várias tentativas de o abolir. Aliás, os que mais se rebelam são justamente aqueles que não demonstraram capacidade mínima para o exercício da profissão. Pergunto: por quê não se rebelam contra os concursos do Ministério Público, os da Polícia ou da Magistratura? Por favor: há que se ter um mínimo de bom senso. 

PS:Vão estudar!

OBS: Foto tirada do mural pintado no acesso da Av. Paulista  em 10/08/2011

terça-feira, 9 de agosto de 2011

a força do Tweeter

Para quem duvida, esta é a força e o alcace de uma "tuitada"... assim, do nada, não há blog que faça isso. A propagação das idéias é absurda e em velocidade inimaginável pouco tempo atrás. Pessoas inacessíveis ficam ao alcance dos dedos e de um celular...As ferramentas estão aí. O mundo pirou e é melhor voce pirar junto. That's for sure.

PS: aliás, siga: @Tardesdemais

domingo, 7 de agosto de 2011

510 anos do Marco de Touros

Pois foi mesmo... Em 1501 a expedição de Gaspar Lemos e Américo Vespúcio aportava na praia de Touros no Rio Grande do Norte. Esta mesma expedição deu nome aos Cabos de São Roque e Santo Agostinho. Foi a primeira expedição após o Descobrimento. O Marco de Pedra lioz ficou na Praia de Touros até 1976 e, devido à deterioração, foi removido para o Forte dos Reis Magos em Natal. 
Você veja como são as coisas... Um Peça Rara Qualquer saia ao mar com umas pedras esculpidas no porão da Nau e, assim que aportava em alguma praia, independente de quem lá estivesse, tomava posse do lugar em nome de El Rey e que se dane o mundo. "Até onde a vista alcança isso agora é meu"... só rindo. O pior é que funcionou e hoje você pode adquirir uma pequena réplica do Marco de Touros lá na lojinha do Forte em Natal. Deus abençoe.

sábado, 6 de agosto de 2011

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

De Wisselwachter ( O HOMEM DA LINHA)

por Alessandro Campolina

Uma relação improvável, em um lugar qualquer, entrecruza as linhas desviantes de personagens a deriva. Com uma narrativa anti-dialógica, Jos Stelling lança o ruído contra o verbo, em uma magnífica exposição do afeto e da natureza. Num bailar de devires, animalescos e pueris, o encontro do estranho agulheiro com a bela francesa faz descongelar o deserto, eletrizando o tempo puro dos espaços vazios e das imagens sonoras. A atmosfera gelada, a sonoplastia rítmica e as alternânicas de luz e cor criam as nuâncias e densidades da topografia subjetiva dos territórios de passagem. Arrebator e sensível, “O Homem da Linha” é ao mesmo tempo a desconstrução poética dos signos lingüísticos e o amor louco de uma animalidade total. 


PS: não há nada que se possa acrescentar... Talvez, que eu gostei muito e que este filme ganhou o Prêmio do Público na décima edição da Mostra de Cinema de São Paulo. Este Filme Holandês (1985) de Jos Stelling é poesia pura, quase sem diálogos e foi lançado em DVD pela Cultclassic em 2009. Divirtam-se...

Match Point

Woody Allen em um momento brilhante.
Algo como “o mundo e a evolução são frutos do mero acaso”. Ou, se você tem sorte é melhor do que ser bem sucedido ou mesmo “brilhante” no seu métier. Vá-la., filosofe... pense. Dê umas voltas no quarteirão ou sente na privada se preferir, mas você não conseguirá ser nem ao menos mínimamente capaz de refutar. Woody é imbatível quando se trata de diálogos para a telona. Rendam-se terráqueos: ele até consegue mostrar Londres para nosotros. Umas vistas lindas do Tâmisa... tem até Big Ben. A louca possibilidade inserta no nanosegundo que separa uma vitória de uma derrota. Será que este filme só nos conta a história da bolinha que bate na rede e por um breve momento flutua no ar, antes de o acaso (ou a sorte, como quiser) determinar quem vence e quem perde? Isso seria muito simples, afinal é assim que ele começa. Mas também é assim que ele termina. Ou não. Claro que não: para variar ele está preocupado em nos convencer de que Deus ou não existe ou é um grande piadista, que está pouco se lixando para qualquer propósito que você pense que a vida possa ter. There is no spoon. Ops, desculpem: There is no plan.
Na prateleira lá de casa tem muita coisa do Woody. Aprendi  a gostar de seus diálogos, mais ainda depois que passei a dominar a lingua na qual são escritos. Aliás, isso me lembra que preciso fundar uma comunidade virtual qualquer do tipo “não suporto tradutor de legenda de cinema” ou “sou contra tradutores de legenda”. Imagine o cara traduzir Libras esterlinas por Dolar. Assim, sem mais nem menos. Ou é um idiota que desconhece o mundo, as implicações de nele se viver, ou pensa que nós o somos. É irracional.
Isso me lembra que, na verdade, eu sou é contra legenda. Ou sabe a língua, ou bota logo o filme dublado e pronto. A legenda só tira atenção da gente, faz perder detalhes belíssimos de filmagem, tomada de câmera, iluminação e atuação. O cara fica lendo filme em vez de ver... E tem mais: por conta de ler, não se atenta com os diálogos e o som do cinema que se dane. Eu passei anos vendo meus pais falarem mal de filme nacional, por não entenderem os diálogos. É claro, todos iam ao cinema para ler e pouco se lixavam com o que era dito ou miado em inglês. Portanto, os donos de salas de exibição não se preocupavam com a qualidade dos alto-falantes. Agora que o cinema nacional faz produções melhores e as salas precisam competir com a televisão e as traquitanas tipo home-isso home-aquilo, cuida-se mais do som. É bom mesmo. Melhor ainda quando se trata de Woody. Para festival de explosões e tiros, bastam falantes com defeito.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Patrimônio Histórico abandonado... cadê o MP?

O Futebol está na moda e os membros do Ministério Público querem embargar as obras do Maracanã, da Arena do Palestra e por ai vai... A Ferrovia não está na moda... e a primeira Estação de Trem construída com concreto armado no Brasil (1906), de autoria do Arquiteto Victor Dubugras, tombada pelo Patrimônio Histórico... está às traças, cheia de sujeira, cercada por alambrados da ALL (concessionária da antiga linha da Sorocabana). De dar dó. Não parece interessar a ninguém. Nem a Prefeitura de Mairinque dá a mínima. A Estação foi festejada quando de seu tombamento e, depois, na ocasião de seu centenário. Todos os políticos presentes descerrando as suas respectivas placas... e mais nada. Hoje tem até lixo jogado nos cômodos, banheiro quebrado servindo de depósito de entulho, parede descascada até a ferragem e que se dane o mundo, a corrosão, o patrimônio. MP que é bom... nada. Um ou outro estudante de arquitetura e alguns ferroviários aposentados e saudosistas. Este é o balanço dos frequentadores do local. Mairinque podia aprender com Jaguariúna que transformou sua velha estação em espaço de lazer bastante atrativo. Podia ser um centro cultural, um espaço de congraçamento. Mas quem se interessa? Em resumo: Oremos...
 cercada por alambrados e trens só tem acesso pela passagem subterrânea
 ah, as placas...
 ai vem um par de sujeitos... e a título de pesquisa fazem isso e nem se dão ao trabalho de reparar...
 e dá-lhe placa...
 precisa legenda?
acesso à sua direita
foi festa pra todo lado... e hoje... nada.