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domingo, 19 de setembro de 2010

O Estrangeiro

No Teatro Eva Herz, que comemora seu terceiro ano (Livraria Cultura do Conjunto Nacional/SP), fomos ver "O Estrangeiro" de Albert Camus, adaptação de Morten Kirkskov (tradução de Liane Lazoski). Trata-se de um monólogo competentemente apresentado por Guilherme Leme dirigido por Vera Holtz. O romance conta a história de um narrador personagem, Meursault, que após a morte da mãe comete um assassinato e é julgado por esse ato. A ação desenrola-se na Argélia, na época em que ainda era colônia francesa, país onde Camus viveu grande parte da sua vida. Nisso, nesta condição de colônia, de ser francês em terra de outrem, é que reside parte da crítica embutida no texto, que traz, por outro lado, boa dose de absurdo ao mesmo tempo em que relata uma sucessão de acasos e acontecimentos desastrosos para o narrador. Em um cenário simples mas efetivo, a peça desenrola-se em um único ato com a iluminação que beira a perfeição. Vera Holtz declarou que gostou da experiência de dirigir, mas que não abandonará a condição de atriz.
Aliás, sinto saudade de Vera no papel principal de Pérola, de Mauro Rasi. Não... na verdade sinto saudade dos textos do Mauro, de sua irreverência e talento que jorravam aos borbotões. Conheci Vera em Bauru, quando foi encenar Pérola no Teatro da Universidade do Sagrado Coração (é claro que ela não lembra disso) e Mauro Rasi ainda era vivo... mas isso é para outro post.