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domingo, 27 de junho de 2010

SUPÉRFLUOS... para cada um o seu.

Copa da África do Sul 2010

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

Desde que vi “Alice no país das maravilhas” (Disney), em que o diretor Tim Burton resolveu alterar não só a idade da protagonista como alguns detalhes do enredo, estou “encafifado” com este livro. Resolvi, portanto, dar uma “fuçada” no assunto. Vou logo avisando que não sou da área e não pretendo produzir nenhum “paper” acadêmico, ou coisa que o valha. Mas, convenhamos, costumo ser contra reducionismos, versões e outras “pataquadas” comerciais que visam vendas e lucro apenas. Muito que bem: a priori me parece que a empreita recentemente levada aos cinemas foi com o único propósito de fazer algo em 3D e vender bastante. Aliás, todos que possuem alguma estorinha estão tratando de fazer isso. Até Buzz Lightyear e Shrek entraram na dança.
Mas voltando ao livro, encontrei diversas edições (muitas por sinal) e parece-me que apenas uma significativamente séria. Apesar das edições traduzidas por Monteiro Lobato e até Nicolau Sevcenko, existe uma tradução direta do original feita por Sebastião Uchoa Leite (1935-2003) e Augusto de Campos ( Fontana/Summus - 1977) que vale seu dinheiro. Ambos escreveram, também, um belo artigo sobre Humpty-Dumpty no número 1 da revista José em 1976. Fora isso existem dezenas de versões, umas pobres outras menos, com ilustrações ou sem, com o intuito de introduzir a petizada no habito da leitura. Salutar, se verdade fosse.
No cinema a coisa ficou um pouco mais complicada pois encontrei muito mais versões do que imaginava. A principiar por uma de 1903, do diretor inglês Hepworth, com mais ou menos oito minutos de duração. Interessantíssima versão em P&B (é claro) e bastante danificada pelo tempo, mas muito bem feita. Há também uma versão feita para a BBC em 1961, dirigida por Jonathan Miller, com trilha sonora de Ravi Shankar e atuações magníficas de Peter Sellers, Sir John Gielgud, Sir Michael Redgrave e outros. Estas duas versões podem ser adquiridas aqui no Brasil graças à Magnus Opus que lançou um DVD (“Alice in Wonderland”) com ambas e alguns outros extras.
De resto, há desenho animado de boa e de má qualidade, da Disney e outros. Alguns filmes para adultos também e até uma versão estapafúrdia chamada “Alice no país das drogas”, um verdadeiro desastre, que nada tem a ver com Lewis Carroll a não ser a tentativa de usurpar o título.
Agora, se resolvesse enveredar pela seara das interpretações, nesse caso de nada adiantaria ter três anos livres que não seriam suficientes para ler nem a metade do que se oferta. Vai de Wittgenstein, até Gilles Deleuze, passando por Antonin Artaud, Freud, Jung e muitos outros que se aventuraram desde a interpretação psicológica da obra até a semiótica, a gramatical e a sociológica. Cansei.


PS: A imagem lá de cima é do filme de 1903 e a daqui de cima é (na seqüência) facsimile da edição original (manuscrita), capa do livro cuja tradução foi de Sebastião Uchoa Leite e Augusto de Campos e capa do DVD da Magnus Opus - tudo foto minha