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quarta-feira, 2 de junho de 2010

TEMPO

Daí eu fico naquela... escrevo sobre Sade ou o sádico destino de Ana Cristina Cézar? O final desmemoriado de Johnny Weissmüller, o Tarzan da minha infância, ou falo da bateria aristocrática de Charlie Watts? Posso fazer a linha intelectual e dizer de Zélia Gattai, de quem adorei “Anarquistas, Graças a Deus”, ou mesmo falar do gaúcho Raul Bopp, cujo primeiro verso em Cobra Norato assevera que um dia ele irá morar nas terras do sem fim.. (pudera eu) Ou será que devo dizer de Giuseppe Garibaldi, Mel Ferrer e Tim Lopes? Ó loucura tanta e quanta que faz desse dia não uma elegia, mas um arrebol como outro qualquer, com trânsito e stress, para o incauto sequer imaginar a vasta extensão do mar. Todos pioneiros, todos revolucionários, criticados e vencedores. No entanto, no rolar das engrenagens, no “nhame-nhame” da máquina, nenhum deles escapou ou o fará para além de um tempo, que é o escasso tempo de cada um. Tempo que escoa pelos dedos, evapora da terrina e permite ao falso esteta falar em sina, enquanto põe em prontidão os vermes. Perdoa Senhor, se amaldiçôo esta vossa incompetência por criardes a beleza com tanta qualidade e complexidão, porém absolutamente efêmera. Que lástima!