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domingo, 2 de maio de 2010

A propósito de livros e crianças...

Cré com Cré e Lé com Lé, dizem, para depois arrematar: um sapato em cada pé. Muito sábio isso, afinal nada como cada coisa em seu lugar e um lugar para cada coisa. Neste dois de maio, morreram Leonardo Da Vinci, Paulo Freire e Augusto Boal. Pessoas que lembram erudição, estudo e, por óbvio, leitura. Nada mais atual, portanto, do que as recentes pesquisas que andam fazendo sobre bibliotecas públicas. Alguns dados surpreendem, outros já eram esperados enquanto que alguns são absolutamente interessantes. Saiba o caro visitante que cada biblioteca paulista empresta em média 702 livros por mês contra a média nacional de 292 livros. Outro dado que merece destaque é o de que das 53 bibliotecas municipais as que mais emprestam livros estão em regiões periféricas da capital, como Penha, Aricanduva, Guaianases e Vila Prudente. No Bairro da Moóca, por exemplo, existe uma biblioteca temática de contos de fadas que, no entanto, foi a que menos emprestou entre todas. Isto me leva a crer que as mães estão falhando, talvez por excesso de trabalho ou falta de tempo, mas falhando inegavelmente. Reclamar que o jovem não lê quase não se pode mais, vez que passa horas na frente do computador, coisa que sem ler é impossível. Conheço até jovens que aprenderam Inglês e Espanhol absolutamente por conta própria, apenas por terem se apaixonado pela máquina à sua frente. Autodidatas de primeiro time como Leonardo Da Vinci. Mas voltemos às mães: se a biblioteca temática de contos de fadas é a que menos empresta livros isto com certeza não se deve ao público alvo, posto que este muitas das vezes está em idade pré-escolar, portanto quem não está a lhes ler os contos são as respectivas mães e eu duvi-de-o-dó que todos têm a coleção de contos dos irmãos Grimm ou as edições completas de Hans Christian Andersen em casa. Creio que não. Depois não reclamem que seu filho não se apegou aos livros, não nutrindo por eles nenhuma simpatia e muito menos façam pose de intelectual a ralhar com a choldra de iletrados. Afinal, se você quer um Paulo Freire ou um Augusto Boal na sua família, ponha seu pimpolho a par dos livros ou melhor, da boa leitura. E aqui cabe a pergunta que aprendi a fazer assistindo ao documentário “PALAVRA EnCANTADA”: Porquê não tem livro na Cesta Básica?

FOTO: feita numa rua quase beco desta nossa pacata Vila dos tempos do Império...

PS: quer saber sobre o acervo paulistano?
e veja o catálogo "on line" no "link" BIBLIOTECAS à sua esquerda.