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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Mary and Max

Este stop-motion com massinhas, espetacularmente repelente, com tons cinzas ou marrons e quase total ausência de outras cores em nada contribui para o bom humor de quem quer que seja. Jamais leve seu filho para ver a menos que queira criar um neurótico compulsivo e de alguma forma agorafóbico. Já bastam para tanto o videogame e o computador que você comprou no Natal passado. As massinhas ambulantes protagonizam a animação mais depressiva do planeta, sendo certo que a improbabilidade tanto do encontro como do relacionamento de ambas as personagens é tão grande que acaba dando certo. Você ri no começo e chora no final. Nem parece que se trata de massinhas a partir de certo ponto, apesar de que a pureza das personagens logo permite ver que não são humanos. São ingênuos e pueris, mas te fazem pensar na sua vida, em como você não se relaciona com as pessoas à sua volta, sejam pais ou vizinhos. As perguntas mais idiotas possíveis permeiam a correspondência de duas pessoas que além de não se conhecerem não possuem nada em comum. Absolutamente nada. São parceiros de correspondência, ou amigos por correio (pen-pal), uma destas coisas extintas, muito em voga em décadas passadas, substituídas pelos amigos virtuais online. Talvez se o filme tratasse das figuras do orkut/messenger, ou coisa que o valha, não tivesse tocado tanto. Ao mesmo tempo, mostra porquê estas formas virtuais de relacionamento se expandiram tanto. Adam Elliot (que escreveu e dirigiu Mary and Max) escolheu dois personagens confusos e com alto potencial de patologia. Totalmente depressivos e improváveis de poderem existir na mesma tela em um cenário quase incolor, repulsivo e, ainda assim, mais interessante e detalhado do que os protagonistas, talvez por pretender exatamente o que conseguiu: a reflexão. O filme todo é um absurdo, mas atinge o objetivo de fazer pensar nas relações com os parentes e os vizinhos. Afinal de contas, o que é uma amizade? O que acontece, enfim, para que uma pessoa consiga se relacionar, conversar e fazer amizade com um “outro” que nunca viu? Como é que sequer cumprimentamos os nossos vizinhos e mantemos grandes e demoradas conversações com estes seres milhas e milhas distantes? Qual a lógica nisso? Nenhuma... E é exatamente esta falta de lógica que é explicitada neste Filme comovente.


Mary and Max, vá ver mas deixe seu filho em casa.

21 de Abril...

Hoje pode ser tudo. Hoje é tudo. Estou até meio confuso. Trata-se do dia mais cheio de acontecências (essa palavra não existia até agora, mas agora já existe). Tiradentes, Pero Vaz de Caminha, Tancredo Neves, feriado no meio da semana, péssimo para o escritório, bom para o Blog. Não sei mais. Aniversário de Brasília, aniversário da colega janaína Amado (do Blog Mínimo Ajuste) e Niemeyer comemora... Lucio Costa e Kneese de Melo já viraram história. Lembro do Kneese professor, dele e do Maurício Nogueira Lima, do Eduardo Corona... old good friends, no longer here. Saudade. Mas minha cabeça está rodando, como se a Elis tivesse me dado Whisky com guaraná, mas é por causa da Mary e do Max, sem contar o Chico Xavier (todos atualmente nos cinemas), e do Bauby que a Gladys comprou na FNAC. O Escafandro e a Borboleta é o terceiro filme que me faz chorar esta semana (antes foram Mary e Max e Chico Xavier). Assim fica difícil...Quem é a Santa de plantão? Estou só comendo salada, correndo quase 15 km por semana, fazendo 120 abdominais por dia e a balança do banheiro foi colada com superbonder, não sai dos oitenta e sete quilos. Só quando o gato sobe nela é que ela mostra o número cinco. Comigo vai direto para o oitenta e sete. Ironia isso, do gato ficar subindo na balança, sentar lá e miar, como que a me dizer que eu tenho que emagrecer no mínimo cinco quilos. Gato chato.


PS: Para os aniversariantes, Flores. Muitas Flores.