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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Escola

Há muito me preocupa a Escola. Não aquela a ser frequentada por meus filhos, pois estes já o fizeram, e bem. O que me preocupa verdadeiramente é a qualidade do ensino oferecido aos pequenos. Sabemos de que nada adianta educar se não na primeira infância. Eu sei, o caro leitor sabe. Pode até discordar e confundir treinamento com educação, mas sabe. Ora, neste sentido, educação é matéria de Estado. Não é dos pais que se deve esperar algo de sério e consistente. Sou convicto nesta tese. E, para piorar minhas reflexões, o ESTADO é ausente. Não há uma política, não há diretriz e, por conseqüência, não há horizonte.
A ausência do Estado é crônica. Primeiro não interessava às elites ensinar ao povo. Posteriormente, as sucessivas ditaduras trataram de demolir o pouco que havia de qualidade nas escolas. Pensar era perigoso. E desde que nos livramos delas (das Ditaduras, é claro), nossos políticos nada se moveram, nada fizeram e pouco investiram. Os bons propósitos daqueles poucos que fizeram constar no texto constitucional a obrigatoriedade de um investimento certo e desejado foram conspurcados ao longo dos anos. Sim, pois já vi até aqueles que se vestem de cordeiro oPTarem por entender que merenda faz parte do investimento na educação. E assim vai se vivendo, a cada ano, a cada eleição, uma promessa, um devaneio, uma desilusão.
O propósito deste texto, no final das contas, é o de instigar, lembrando a todos a obrigação cívica que se avizinha para outubro e, além disso, mostrar que no Rio de Janeiro acharam a solução para todos os males.
Vejam os caros amigos que, nas terras tão almejadas por Villegagnon, de hoje em diante será proibido o uso do boné. O problema estava no boné, caríssimos, no Boné! (Assim identificaram mais um instrumento do colonialismo Yankee ao que parece) O Boné que, ao apertar a cabeça das crianças, impedia a livre circulação do sangue ricamente oxigenado pelas idéias frenéticamente modernas (e revolucionárias) da comunidade. É claro que o uso do celular em sala de aula também fica proibido e, além disso, os alunos passaram a ter obrigações, tais como, aguardar o professor em sala, sair da mesma somente com autorização, acompanhar semanalmente o hasteamento da bandeira e fazer o dever de casa. Ficaram proibidos também os adereços de conotação sexual e as agressões físicas e verbais. Fiquei pasmo! Custei a crer no que meu jornal insistia em me mostrar. Tirei foto até. Senhores: será que então até hoje cedo, na Cidade Maravilhosa, era permitido o que passou a ser proibido? Será? Se alguém souber algo que não sei, ou que entendi errado, por favor me avise.

IMAGENS: FOLHA