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quarta-feira, 31 de março de 2010

A REVOLUÇÃO DE 64

Eu já ia para o Primário (início do que hoje chamam Ensino Fundamental) quando o Brasil virou de ponta cabeça. Na época, a mim encantaram os tanques nas ruas. Até aqueles dias jamais havia visto um. Pouco tempo depois comecei a sentir as mudanças. Minha mãe, estrangeira e imigrante, passou a estocar comida em casa. Meu pai fez o mesmo com dois tambores de gasolina (uma insensatez necessária, como me explicou anos depois). Meu tio tratou de sair do país por uns tempos. O Guarda Civil da esquina da minha escola deixou de velar pela nossa travessia, assim sem mais nem menos, de um dia para o outro. Um professor deixou de sê-lo... Poucos anos depois veio a compreensão de tudo. Veio o AI-5 e tudo o mais que a esta altura do campeonato é história. Eu e meus amigos crescemos assim. Quando crianças achando Tanque legal, EXPOEX o máximo, na adolescência sendo revistados a cada volta, a cada esquina... e como jovens a fugir da polícia respirando gás lacrimogênio nas ruas do Centro paulista. Amadurecemos enquanto a "revolução" apodrecia. Para quem tem paciência e curiosidade recomendo "De Getúlio a Castelo" de Thomas Skidmore e, depois, os quatro volumes carinhosamente escritos por Hélio Gaspari (A Ditadura Envergonhada, A Ditadura Escancarada, A Ditadura Encurralada e A Ditadura Derrotada). Há muitos outro livros, é claro, mas com estes a pessoa não passa mais vergonha em roda de conversa... É claro que não é nada para se orgulhar, mas para conhecer e JAMAIS PERMITIR QUE SE REPITA. 

PS: a primeira imagem eu não sei de quem é... tirei DAQUI. As outras duas são de livros meus.
PS2: hoje, 31 de março, é a data fatídica. Quando criança, chegou a ser feriado...