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domingo, 7 de março de 2010

CONE SUL


O que tinham em comum o Brasil e o Chile no início dos anos setenta? Tudo e nada, ao mesmo tempo. Vamos por partes: 1) o Chile curtia a sua aventura socialista com Allende no poder enquanto nós sofríamos os piores anos da ditadura militar, os anos de chumbo; 2) Com a eleição (sic) de Geisel (74) começamos a abertura lenta e gradual e eles com o golpe de Pinochet (73) iniciaram os piores anos da história chilena; 3) Entre mortos e feridos, ambos saímos desta, não sem antes contemplarmos nossos ditadores de óculos escuros e uniforminho, igual caricatura de filme de Woody Allen.
Muito bem, dois cineastas, Cao Hamburguer e Andrés Wood, resolveram contar estes anos na ótica de garotos, pré-adolescentes na casa dos dez aos doze anos. Mauro e Pedro, cada um em seu país e à sua maneira, não entendem a razão da viagem de seus pais. Vivem mundos de faz de conta invadidos pela realidade dos adultos. Enquanto Mauro é envolvido pela Copa de 70, brilhantemente inserida na narrativa, Pedro sobrevive a sua maneira às tentativas de socialização levadas a cabo pelo Padre Mc'Enroe diretor de um Colégio de classe média em Santiago. Ambas as produções são cuidadosas, com detalhes de época impecáveis e possuem diretores nascidos no início dos anos sessenta e que por conseguinte, adicionaram bem as suas próprias lembranças ao que depois passaram para as telas.
A mim, particularmente, me tocaram muito ambos os filmes, uma vez que vivi de perto o mundo de Mauro, na mesma São Paulo, na mesma época e com a mesma idade. Filho de pais estrangeiros, com amigos no exterior, tive também muito acesso a informações não censuradas e pude acompanhar com um pouco mais de nitidez os acontecimentos daquela época. Não deve ser difícil de inferir que ambos os filmes mexeram na alma e no baú das emoções.
IMAGENS: 1) capas dos respectivos DVD's; 2) à esquerda Costa e Silva, à direita Pinochet (propositalmente nesta ordem) kkkkkkkkkkkkk

It's Complicated

Comédia romântica é de encher o saco. Me perdoem as moçoilas, mas é a pura verdade. Agora, quando a turma que se envolve na empreitada é capitaneada por Meryl Streep e Alec Baldwin até Steve Martin consegue se comportar a parecer ator de verdade. Quem assina a tramóia toda é Nancy Meyers, a mesma de "Alguém tem de ceder" (Jack Nicholson e Diane Keaton), ou seja, é do ramo e não precisa provar nada para ninguém. O problema é se você espera mais deste filme do que do anterior. Mas se você for ao cinema para se divertir, dar algumas risadas, derrubar pipoca no colo da vizinha, engasgar com o refrigerante na cena do flagrante... beleza, você fez um bom investimento. 
O filme se desenvolve de maneira bastante morna até que a divorciada resolve ser amante de seu ex-marido. Todas as situações dai resultantes são hilárias e valem as atuações dos protagonistas. Até os atores contratados para encher cenário se saem bem. O melhor mesmo é que o final não é aquele pelo qual se torce. 
A autora explicou que resolveu falar de divórcio, mas não do seu lado amargo e, ao longo do desenvolvimento do roteiro, percebeu que estava a discorrer sobre como algumas mulheres não conseguem lidar plena e definitivamente com rompimentos e relações desfeitas. Resumindo, são as mal resolvidas, aquelas para quem a relação na verdade nunca acaba, as inspiradoras desta comédia.