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quarta-feira, 3 de março de 2010

ILHA GRANDE


Hoje, três de março, é a data em que Graciliano Ramos foi em cana. Não importa o ano, isto é atemporal, apesar de que você finge que se importa com a dor do morto. Dor do tipo, “amor morto, motor da saudade”, mas Ditaduras e Ditadores têm destas coisas e prender escritores é uma delas. Daí, maluco passou o diabo, comeu o pão que o dito-cujo amassou e, passados muitos anos, escreveu “Memórias do Cárcere”. Não contente em lê-lo, fui visitar a Ilha Grande, a Ilha cárcere, o paraíso que foi inferno. Por lá andou também Origenes Lessa, o ilustre filho de Lençóis Paulista e autor de “O Feijão e o Sonho”. Por lá andaram muitos presos políticos, outros apenas presos, sem política alguma. Ou seja, voltando ao assunto, fui visitar o carcere do “Memórias”. Você chega naquele pedaço de paraíso e logo sente um frio na espinha. Dois cárceres, um mandado demolir por Carlos Lacerda, outro implodido por Brizola. Ambos lá, como fantasmas de um poder maior que todos nós, maior que a vida, maior do que a destruição. Não há como esquecer já que é o cárcere da memória. 

IMAGEM: BAIXAKI (ou coisa parecida com Wallpaper)