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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

TRAPALHADA

Confesso que gastei boa parte do último mês estudando o tal Programa Nacional de Direitos Humanos e quando estava quase entendendo alguma coisa, eis que mudaram tudo. Bem, não chegou a ser tudo, mas quase tudo. Tiraram a descriminalização do aborto, tiraram a expressão "repressão política" e ao que parece pode ser que tirem também o tal de Vannuchi que já foi chamado até de "psicopata ideológico, terrorista e maluco", segundo palavras dele mesmo que, aliás, recusa-se a responder na mesma moeda  (Primeiro momento sensato nesta estória toda). Na verdade Vannuchi conseguiu despertar duas forças caquéticas que andavam adormecidas em sono profundo. A CNBB e os Militares voltaram a ter alguma voz, leia-se espaço na imprensa, por conta das bobagens desse Senhor intitulado Ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Agora, sou obrigado a confessar, este Programa teve um lado bom: segundo as más linguas, por ter levado a leitura do Programa a sério o Coronel Erasmo Dias foi desta para melhor. (E minha geração agradece, de coração)
Minha maior preocupação, no entanto, em relação ao presente "post" foi escolher a imagem que acompanharia o texto. Pensei em um poster de Dom Paulo Evaristo Arns, logo desisti... Uma imagem do Ibrahim Sued ou uma do Erasmo Dias, descartadas imediatamente e eis que me lembrei da piscina de mamãe, esta que vocês estão a admirar, pois nada mais humano e de pleno direito, que ler um bom livro ao lado de um suco natureba qualquer, entremeado com mergulhos neste paraíso. E tenho dito. 

Holden Caufield ficou órfão

Pois é... J. D. Salinger morreu ontem aos 91 anos. Recluso desde os anos 80, sem se deixar fotografar, o autor do Manual do Desajustado foi ser "apanhador nos campos de centeio" do Senhor...
Para mim, muito particularmente, este livro somado ao On the Road (Jack Kerouac) e ao Pergunte ao Pó (John Fante) formou uma trilogia difícil de explicar mas fácil de entender. Juntei tudo isso no liquidificador e na hora de meter goela abaixo adocei com Allen Ginsberg e Carlos Drummond de Andrade, ouvindo Mutantes e YES... deu no que deu.
Agora que sou mais dado a Saramago, a notícia da morte de J. D. me pegou de surprêsa. Algo como 2000 volts na testa, de frente, sem direito a saber do atropelamento. Eu já o dava como morto desde há muito... Cada maluco com sua mania, mas se desligar do mundo, se recusar a usufruir, discutir, é muito estranho para os conceitos que atualmente imperam na minha horta. O companheiro Lula (sempre ele) certa vez declarou que "é melhor ser rico e anônimo, do que pobre famoso". Quem sabe não partilha da mesma filosofia de Salinger... e um dia some.

PS: foto da net. Salinger aos 44.