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segunda-feira, 29 de março de 2010

A MORTE DE VIRGINIA WOOLF


"Não sei ao certo se o TIMES já terá anunciado a essa altura que Virginia desapareceu. Temo que não haja a menor dúvida de que ela se afogou por volta do meio dia da sexta-feira da semana passada. Deixou cartas para Leonard e Vanessa [seu marido e sua irmã, respectivamente]. Sua bengala e pegadas foram encontradas à beira do rio.
Durante alguns dias, é claro, continuamos a esperar, contra toda a logica, que ela tivesse simplesmente saído em uma caminhada sem rumo, e que viria a ser encontrada em um celeiro ou em uma loja de aldeia. Mas perdemos toda a esperança; no entanto, porque seu corpo não foi encontrado, ela não pode ser considerada legalmente morta.
Ficou claro, algumas semanas atrás, que ela estava prestes a sofrer mais um daqueles colapsos nervosos longos e agonizantes, dos quais já tivera vários. A perspectiva de dois anos de insanidade, para então despertar para o tipo de mundo que outros dois anos de guerra criaram, foi tal que não posso ter certeza de que ela tenha sido insensata."


[Carta de Clive Bell para Francess Partridge, sobre o desaparecimento de Virginia Woolf, em 3 de abril de 1941]
FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO
IMAGEM: Brooklynmuseum.org

3 comentários:

Carlos Eduardo da Maia disse...

Li essa carta no Caderno Mais da Folha de domingo. Achei muito interessante. E que belo filme "As horas" e que bela música do Glass.

Gláuber disse...

SAD'

TARDE disse...

Pois é Carlos, ainda bem que vem escrito ai em cima FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO. Até porquê, meu Blog tem leitores em locais que a FOLHA não chega... e achei por bem reproduzir.