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sexta-feira, 5 de março de 2010

Johnny Alf


Apesar dos meus ouvidos serem descalibrados, absolutamente anti-musicais, ou seja, sem capacidade alguma de afinar nada, adoro ouvir boa musica e posso dizer que tenho uma cultura musical razoável. Com a minha mãe aprendi a conhecer os clássicos e a Ópera, com os amigos e meu próprio nariz a reverenciar o Rock, a Tropicália e todas as suas variantes. Mas, quem realmente formou minha cultura musical (muito antes dos Festivais da Record), me deu bases de boa poesia e me mostrou o que este país e a nossa língua tem de mais rico (MPB) foi o radio da Dalva. Dalva foi a empregada lá de casa desde que me lembro até que me dei por gente e eu passava minhas horas atrás daquela criatura e seu radio, cujo dial apresentava desde Aracy de Almeida e Dalva de Oliveira, passando por Ataulfo Alves, Noel Rosa, Pixinguinha, Dolores Durant, Cauby e incontáveis mestres, inclusive a Bossa Nova com todos os seus expoentes como Johnny Alf.
Estes sons e estas letras impregnaram as primeiras camadas do meu cérebro e da minha alma de forma tal que não sei viver mais sem este alimento, ou seja, poesia e música. Outro dia ainda, não tem um ano isso, eu fui ao SESC Pinheiros ver Johnny Alf comemorar seus oitenta anos juntamente com Alaíde Costa e Emílio Santiago. Foi emocionante e ao final aplaudi Johnny e seu piano até que me brotasse um calo na mão. Passei dias a andar em nuvens e nem sabia que ali se apresentou um homem muito doente e que estava a se despedir de nós. Pois Johnny se foi ontem (04/03) e nos deixou inúmeras pérolas dentre as quais uma que eu simplesmente venero... pois foi com ele que eu aprendi que o inesperado pode nos trazer uma surprêsa.


IMAGEM: Eduardo Anizelli / FOLHA

Um comentário:

cduxa disse...

Não conhecia, mas graças ao youtube dei uma orelha e gostei.
Gosto do blogue.