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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

SURREAL

“Coisas que eu sei são coisas que antes eu somente não sabia”. Agora que  eu sei... Me invadem como as casas que desenhei um dia. Umas eu sonhei em meio às cachoeiras, com uma pretensão de ser Frank, já outras foram aos barrancos, às matas em avenidas abstratas. Igual uma corrida de taxi, efêmera, cara e muitas das vezes inútil. Mas não a minha miopia, essa não... Essa eu prezo muito, cuido bem. Com ela, em noite de chuva na avenida paulista eu me sinto em pleno delírio de LSD. Basta-me tirar os óculos e já se espalham os brilhos e derretem-se as pessoas e as coisas. É lindo de viver. A miopia me deixa surdo, introspectivo, meditativo até. Pronto para a Yoga do dia a dia e para não reconhecer passantes, sejam eles pedestres errantes ou parentes distantes. Nestas horas a água de coco gelada dissipa os fantasmas em gotas serenas e azuis. Mas não é o azul norte-americano, triste e chorão. É o azul tropical e alegre, quente e de biquíni.  Mas o que queres afinal? Querer? Quero imaginar a vida, sonhar meu futuro com cheiro de jasmim, a contar minhas histórias em roda, na praça, na sala ou no jardim. Quero afiar minhas penas, mergulhá-las no negro nanquim para desenhar as ondas e suas espumas brancas, tudo ao redor de mim. Afinal, “aonde queres família, sou maluco”, boto minha prancha junto ao sovaco e vou para a rebentação flipervídeo de patins, sem lenço, sem óculos e com documentos para fazer um filme Super-8 só pra mim! 
Batem a Claquete: Grita-se silêncio e logo em seguida "Ação"

De camisa cor de rosa, gravata roxa de bolinhas brancas, todo discreto, em silêncio, absolutamente no tom certo. Um quê de pastel. Estamos falando de moda, mas pode-se estar lendo outra coisa também. Pode ser pintura e em se tratando do assunto, do ponto de vista técnico, pastel é um tom. Não é nada que se ouça ou coma. Apesar do silêncio. Pode ser que não.
O roxo não é o de saltar aos olhos. Assunto sempre dolorido. Mas é “tai-chi”, é suave, com bolinhas brancas que geram uma ilusão ótica rósea. “Ou não?!”
“Quê?”... “
”É, aquele presunto lá, o do “córgo”, o roxo...”
“Quê que tem?”
“Acho que vou lá pegar a gravata dele...”
“O quê?”
“É preu saí ca Creuza!”

2 comentários:

Silvestre Gavinha disse...

Como assim???
Muito bom texto.
Já disse, acho muito legal essa coisa tua de misturar assuntos começar falando uma coisa e acabar noutra.
Um samba de crioulo doido.
Adoro.
É difícil parar de ler.
Hoje já matei a academia.
Tsc Tsc Tsc....
Assim não dá.
Leitura engorda.
Como diria a Mafalda: "não sou gorda, sou culta.

TARDE disse...

kkkkkkkkkkkk