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terça-feira, 17 de novembro de 2009

BALI EXPRESS

Flagrei esta geringonça andando pela Rua Estados Unidos em plena tarde. Digo geringonça, pois além de não ter "paredes, portas e janelas" vinha escrito "Bali Express", anunciando a "Casa Cor Trio"... que para quem não sabe é a onésima centésima versão da Casa Cor,  aquela invenção genial que proliferou demais e perdeu a mão. Para o público parece sempre mais do mesmo e para os arquitetos e decoradores que dela participam serve de ralo de suas parcas economias. Custa caro participar e, segundo os profissionais com quem conversei, o retorno não é lá grandes coisas. Mas, enfim, gera sempre curiosidades, sendo algumas ambulantes (literalmente). A de hoje tem só uma roda na frente e remete mesmo àquelas geringonças que se vê nos filmes orientais. Desconheço o propósito da coisa e seu itinerário, mas se calhar vou andar nisso. Deve ser pra lá de interessante, talvez como se sentir num zoológico, com todos a te observar...
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PS: pena que não consegui uma foto melhor... mas o trânsito estava de matar.

VANISHING POINT ou CORRIDA CONTRA O DESTINO


Primeiro, vamos combinar: “vanishing point” é ponto de fuga e apesar do filme ser uma perseguição só, ninguém, mas absolutamente ninguém ali corre “contra” o destino. Muito bem, existem dois filmes com este título, sendo o original lançado em 1971 e uma refilmagem absolutamente equivocada feita na década de 90 com Vigo Mortensen no papel principal. Deste falamos apenas o suficiente para você saber que existe e não nos acusar de omissão ou ignorância. O que interessa mesmo é o filme dirigido por Richard C. Sarafian e estrelado por Barry Newman no papel de Kowalski. Conseguiram fazer um filme que na época de seu lançamento não foi compreendido nem aceito, mas que anos depois se tornou um cult. Mistura elementos de Kerouac com os ícones libertários daquela que passou a ser conhecida como geração perdida. Perdida entre dois mundos, espremida por uma revolução cultural ainda não digerida. Alguns até identificam pontos convergentes entre este Vanishing point e easy rider apenas por ambos serem o que se convencionou chamar como road movie. Acredito que não é o caso.

Todos os símbolos americanos dos anos setenta estão presentes, desde as costeletas avantajadas, passando pela violência policial e as medalhas da guerra do vietnã. Drogas e liberdade sexual também batem ponto, mas a essência do filme é a ótima música de sua trilha sonora combinada com paisagem desolada e o ronco de um impecável Dodge Challenger RT de 1970. O motivo de tanta correria, acredito eu, é o cerebro diluído do Kowalski cujas lembranças se misturam com a realidade alterada pelos rebites-bolinhas-speed-dope que ingere o tempo todo e todo o tempo. Mas isto também não vem ao caso, pois pouco ou nada importa o motivo da correria e sim a correria em si. Por apenas querer chegar em tempo recorde, acaba se envolvendo com a polícia de diversos Estados e é perseguido de maneira implacável. Nesta perseguição faz um amigo improvável, o DJ Super Soul (muito bem interpretado por Cleavon Little) e muitos inimigos. É o anti-herói por excelência. E, como anti-herói, não podia acabar bem. Mas isto já é contar o filme, né?! Assista você, ora bolas... ou vai deixar de ver a loura pelada andando de moto no deserto ou o pastor louvando Jesus com rock e cascavéis, só porquê eu contei o filme?