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sábado, 26 de setembro de 2009

A CONDENAÇÃO DE CAROLINA PIVETTA

Segundo leio na coluna de Mônica Bergamo a Justiça paulista condenou a pichadora da Bienal do vazio a quatro anos de prisão em regime semi-aberto. Conheço Augusto de Arruda Botelho, seu advogado, e sei de sua capacidade, arriscando-me a dizer que pouco ou nada irá sobrar para esta infeliz cumprir (pois já ficou quase dois meses em cana). Carolina não passa de mais uma vítima destes tempos de transição em que nada se sabe e nada se define. A Bienal, estopim do presente destino, era a Bienal do vazio, em que seu segundo andar estava apenas com as paredes brancas e nada mais. A um artista que achou por bem desfilar nu pelo local, nada aconteceu. Para Carolina, no entanto, sobrou uma condenação penal, por ora recorrível, mas sempre um tormento na vida.
Estamos em uma época em que o artista e a arte deram lugar à ditadura dos curadores e do capital em conluio com a mídia. O artista e a arte são secundários, dispensáveis. A moda é fazer exposição sobre nada, deixar espaços vazios, convidar à reflexão pelo nada. Vender o nada, a suprema glória capitalista. O triste é que neste processo de transformação de valores e comportamentos, os jovens são levados pelas ondas e alguns acabam ralados na areia enquanto outros se afogam, para poucos surfarem a crista destas mesmas ondas até que a próxima geração venha sentar nas banheiras da calmaria a espera do inevitável tsunami. Já vi este filme...

Luz aos cegos!

IMAGEM: Folha Imagem