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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

TUDO QUE NOS CERCA


Um filme simples, sem truques nem efeitos especiais, que mostra a vida como ela é. Interessante, até por ter sido filmado no Japão, mostrando japoneses em seu cotidiano familiar e laboral. Bom para variar e fugir da dominação do “american way of life”. Focado na família de um desenhista, mostra o desenrolar de diversos acontecimentos banais que talvez não dessem um bom filme. O trabalho de cada um, a depressão da esposa aflorando, a espera do primeiro filho, o amigo que oferece um emprego melhor, a garrafa térmica nova, a aranha dentro de casa, a chuva e o chá. Mas trata-se de uma lente lúcida, passando por rencontros e despedidas, descobertas e afirmações e que, em paralelo, nos apresenta a violência do mundo em fragmentos e flashes de um tribunal penal. Assim o filme nos situa no tempo e no espaço, mostra que a sociedade japonesa não é tão ascética e que a violência é um fenômeno mundial. E é violência banalizada, é o gás Sarin do metrô de Tokyo, assassinatos de crianças, crimes brutais contra escolares, é o câncer da mãe, a falência do irmão e a neurose da vizinha. No núcleo do filme porém, aprende-se a viver um com o outro, resiste-se, um ajudando o outro na busca de uma identidade comum, coisas de casal. Alguns elementos de cultura oriental podem passar em branco, afinal não temos os filtros apropriados para decifrá-los. Mas Hashiguchi Ryosuke dirige um filme sem fronteiras, cuja mensagem de amor e solidariedade é forte o suficiente para estar no centro de tudo que nos cerca.

3 comentários:

Gláuber disse...

N assisti a obra, mas tenho certeza que vc a descreveu como ela é.
Quiz lhe elogiar, por isso n te chamei de crítico de cinema.

cheguei demasiado TARDE disse...

Rsrsrsrs, obrigado. Garanto que o filme é bom, pena que talvez não o possamos ver em circuito comercial por aqui... Talvez um dia esteja à venda ou em locadoras. Abs

Gláuber disse...

:D