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terça-feira, 24 de novembro de 2009

CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS

Um filme universal, destes filmes inesquecíveis e obrigatórios sobre dois seres humanos, de realidades completamente diferentes, cada um fugindo de sua adversidade. Um road movie, que mostra um alemão fugindo da Guerra e um brasileiro da seca, ambos da miséria. Encontram-se no acaso de uma carona do nada para lugar nenhum em 1942, pouco antes de o Brasil declarar guerra aos países do Eixo. Um acaba contratando o outro como ajudante de vender aspirina no sertão, auxiliados por filmes promocionais. Jóias raras da propaganda, resgatadas pelo trabalho da produção e que são projetados ao ar livre para as pequenas comunidades que surgem pelo caminho. Os dois personagens vão se conhecendo ao longo dos quilômetros e dos dias, quando o destino faz com que o sertanejo Ranulfo salve a vida de Johan, que fora mordido por uma cobra.
Uma sólida amizade se forma e cresce até que Johan tem de escolher entre voltar para a sua terra ou ser recolhido a um dos campos de concentração montados pelo governo do Sr. Getúlio Dornelles Vargas. Escolhe migrar para a amazônia, ser soldado da borracha. Um filme cheio de grandes gestos, de momentos sublimes e verdades perenes. Com fotografia impecável, reproduz a luminosidade do sertão, enquanto a alma do espectador vai sendo alimentada pela musica de Lamartine Babo: “Serra da Boa Esperança, Esperança que encerra, No coração do Brasil, Um punhado de terra”. Uma obra prima, várias vezes premiada, para se ver sempre.

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