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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

AQUILES E A TARTARUGA


Utilizando-se de um paradoxo do filósofo grego Zeno de Eléia (450 AC), em que este afirma que Aquiles jamais alcançará a tartaruga, se esta eventualmente partiu com alguns metros de vantagem, Takeshi Kitano nos mostra que o artista jamais alcança a perfeição mesmo se correr atrás dela a vida toda.

Seu filme nos conta a história de Machisu, levado a crer, desde pequeno, que tem enorme talento para a pintura. Esse pensamento incutido no garoto toma sua vida de forma a perseguir a perfeição e o reconhecimento de sua arte, a qualquer custo. Passou a vida sem vender nada, mesmo vendo seus quadros serem negociados por marchands.
De certa forma Kitano retrata a crueldade que é ser um artista neste mundo regido pelo comércio e pelo lucro. Tragédia e comédia se misturam neste que parece ser o terceiro título da trilogia que se iniciou com Takeshi's e continuou com Kantoku: Banzai!

O próprio cineasta faz o papel do personagem principal na idade adulta, de modo que nos leva a crer que Kitano empresta grande importância ao mesmo, talvez um alter-ego. Ao final consegue atrair alguma atenção quando tenta vender um lixo qualquer numa banca de rua. Como tudo tem de ter um fim, Machisu é resgatado pela esposa que o abandonara algum tempo antes. Na cena final ambos se livram do lixo, chutando para longe a arte comercial e o reconhecimento implícito nela, perseguido por toda a vida.

Mais uma grande atração do 33º festival de Cinema de São Paulo que infelizmente vai chegando ao seu final. Este ano tivemos inclusive a chamada mostra virtual com alguns títulos sendo exibidos pelo site da mostra. Uma inovação que coloca o evento de Leon Cacoff na vanguarda mundial. A cada ano que passa, o mais antigo Festival de Cinema do país, vai encorpando e angariando seguidores fiéis.
É um vício! E depois que entrou na veia...

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