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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

POR NEUSA BARBOSA p/UOL
Filmado ao longo de 10 anos, desde 1999, "Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo" ganhou em parte um tom ficcional ao ter acrescentada à sua travessia por diversos pontos do sertão nordestino, a partir de Fortaleza, a figura de um narrador - o ator baiano Irandhir Santos (da minissérie "Pedra do Reino"), que nunca aparece em cena, mas cuja voz é ouvida o tempo todo.Santos interpreta um geólogo, José Renato, que parte para uma viagem de pesquisas, para construção de um canal. Pelos seus olhos, o espectador do filme flagra cenas da vida cotidiana de estradas, povoados, postos de gasolina, feiras, santuários. O personagem filma esses locais e essas pessoas, traçando com eles o itinerário de uma procura existencial. Ele vive um momento de crise numa relação amorosa, o que explica o título.Na coletiva do filme, nesta tarde, os diretores explicaram que o projeto do filme veio sendo adiado todo este tempo em função de dificuldades de orçamento. Neste período, os dois cineastas realizaram projetos individuais em ficção: "Cinema, Aspirinas e Urubus", no caso de Gomes, "Madame Satã" e "O Céu de Suely", no de Ainouz. Mas, nos dois casos, participaram dos respectivos roteiros, amadurecendo a parceria agora traduzida em "Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo".Para Gomes, o período de maturação permitiu redimensionar o material filmado ao longo dos anos, que foi captado em vários suportes: digital, vídeo, 16 mm e 35 mm. "Aí surgiu a idéia de um personagem que também viaja e está à flor da pele, como nós", aponta.Falando dos locais de filmagens, Gomes prefere usar o termo "sertão", que para ele é o "lugar da nossa afetividade, de onde eu sou, de onde são os antepassados do Karim". Gomes é pernambucano, Ainouz, cearense.Já para Ainouz, "cada país tem o seu sertão". Em sua visão, este é um "lugar da memória, do vazio e do isolamento". Mas ele prefere usar outro termo: "desertão".
IMAGEM: DIVULGAÇÂO

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